A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 22/09/2020

Após o descobrimento da América, na segunda metade do século XV, processos de colonização começaram a tomar conta do território a oeste do continente Europeu. Nessa lógica, diante da visão eurocêntrica e expansionista, os povos que no Novo Mundo abitavam passaram por violentos processos de mudança e catequização aos moldes dos colonizadores. No Brasil, somado a isso, os indígenas passaram a perder sua autonomia linguística por pressão física e técnicas psicológicas no decorrer da invasão portuguesa. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar esse quadro de perdas e a possível extinção das línguas originárias do território Americano.

Inicialmente, é importante verificar o impacto da pressão física que os indígenas sofreram durante o período de colonização para a adoção do idioma Português. Nesse contexto, durante o século XVI os portugueses iniciaram fortes investidas ao então Novo Mundo impondo sua cultura europeia com o uso, sobretudo, de armas de fogo aos povos donos da América. À vista disso, após tantos anos de evolução  nos conceitos sociais, os povos indígenas ainda enfrentam imposições culturais ao tentar acessar áreas fundamentais como saúde e educação tendo que utilizar o idioma dos colonizadores. Desse modo, é lamentável como o Estado brasileiro não se prontifica a proteger a língua materna de seu povo.

Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito da técnica psicológica utilizada no processo de expansão portuguesa para terras Americanas na inserção do português na vida dos povos indígenas. Nessa conjuntura, os jesuítas - religiosos encarregados de catequizar e mediar a interação com os nativos da América - utilizaram técnicas de aproximação como o uso do próprio idioma local para conquistar a confiança e difundir suas crenças e costumes. Sob essa perspectiva, os indígenas Sul-americanos, cativados pelo estratégico uso da língua local como forma de comunicação, tornaram-se  maleáveis a discreta invasão psicológica do seu dialeto. Dessa forma, é criticável a forma negligente com que o Estado brasileiro lida com a extinção gradual de seus idiomas nativos ainda hoje.

Nota-se, portanto, o quão danosa a pressão física e as técnicas psicológicas utilizadas na construção do Brasil foram para as línguas nativas. Assim, cabe ao Governo Federal garantir a manutenção dos idiomas indígenas presentes no território. Isso pode ser feito por meio da viabilização do uso cotidiano do idioma de cada comunidade indígena, ao garantir tradutores nos locais que exigem diálogo e troca de informações como saúde e educação, e do incentivo à manutenção do uso de línguas nativas, ao investir na construção de escolas, sobretudo nas aldeias, com modelos não eurocêntricos de educação para evitar a imposição do aprendizado na língua invasora. Espera-se, dessa maneira, que o Brasil garanta aos idiomas indígenas, minados durante a colonização, a autonomia que lhes é de direito.