A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/09/2020
A datar de 1500, com a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, a disseminação da língua portuguesa, através da catequização dos indígenas, não parou. Embora tal fato seja uma conquista, corrobora com a extinção de línguas que antes eram faladas no país, visto que muitas pessoas, com o passar do tempo, não tiveram mais contato com essa cultura. Dessa forma, em razão da desvalorização e da falta de contato com esses povos, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.
Primeiramente é preciso salientar que o desprestigio da população sobre essa questão é uma causa latente da situação. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidos. Diante disso verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a extinção de línguas indígenas no Brasil, devido a falta de contato da população desde a infância, assim, torna-se sua resolução mais dificultada.
Ademais, outras causa para a configuração do problema é o não conhecimento da cultura linguística desde os primeiros anos de vida. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há uma falha educacional. No que tange ao desaparecimento de línguas indígenas, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de valorizar essa cultura, tentando assim, resolver e reverter o problema, visto que, não tem trazido esse conteúdo para a sala de aula.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão, no ambiente escola. Tais eventos podem ocorrer no contra turno, contado com a presença de professores especializados no assunto, e indivíduos que já possuam há algum tempo o contato com a língua. Além disso, esses eventos devem ser abertos á comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância das cerca de 270 línguas indígenas que ainda são faladas no país, segundo a UNESCO, e se tornem cidadãos atuantes na busca de resolução. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt, “A pluralidade é a lei da Terra”.