A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/09/2020
A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante no artigo 231, a preservação da cultura indígena. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com tanta ênfase na prática, inclusive, várias línguas dos índios estão em extinção. Sob essa ótica, a inoperância do Ministério da Educação, bem como o preconceito enraizado com um povo que tanto fez pelo país, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.
Em primeira instância, é fundamental ressaltar a escassez de disciplinas no setor escolar que visam preservar os dialetos indígenas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, são mais de 274 línguas aborígenes no Brasil. Entretanto, mesmo com tanta diversidade não há valorização dessa cultura tão importante para a história do país. Tendo em vista que os ensinamentos em salas de aulas e livros didáticos apresentam uma visão europeizada dos índios, distorcendo a realidade e favorecendo a desvalorização e desigualdade com o outrem. Logo, é emergente a inserção de disciplinas curriculares e uma mudança na forma de ensino sobre os primeiros habitantes da terra brasileira.
Ademais, convém relacionar ainda, a falta de empatia e respeito com a diversidade. Segundo o sertanista brasileiro Orlando Villas Boas, a cultura do outro deve ser respeitada e procurar entender é fundamental. Percebe-se, nesse viés, que a pluralidade na sociedade é importante para a troca de valores, sendo necessário conhecer as diferenças. Porém, como retrata Darcy Ribeiro, em sua obra “Povo brasileiro”, o cidadão tem facilidade de aceitar o costume estrangeiro e menospreza a variedade cultural do seu país. Nessa perspectiva, é notório que os brasileiros preferem línguas como inglês e espanhol, do que as indígenas, sendo essas um grande patrimônio do Brasil e precisam ser preservadas.
Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses e frear a extinção das línguas indígenas. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação inserir disciplinas curriculares obrigatórias que visam desmistificar a ideia europeizada sobre os índios, e mostrar o valor da cultura, costumes e línguas dos autóctones; além do mais, deve incentivar os professores de língua portuguesa a especializar em alguns dialetos das tribos, por meio de cursos gratuitos e auxiliares, com o objetivo de ensinar aos discentes. Por fim, o setor escolar deve fornecer palestras abertas ao público, a fim de ensinar sobre as diversidades e valores, como o respeito, um dos princípios de convívio social. Assim, a Carta Magna será cumprida e haverá equilíbrio no agrupamento civil.