A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 22/09/2020

No livro “ O Guarani”, escrito por José de Alencar, a imagem do protagonista Peri é caracterizada como a de herói, forte e valente, inserido em uma cultura nativa, rica e diversificada. Por meio deste personagem o autor tenta aproximar a imagem do índio a construção de um sentimento nacionalista, o que era bem comum nas poesias romancistas do século XX. Porém, fora da ficção, as línguas indígenas vêm desaparecendo, deixando uma lacuna na história do povo brasileiro. Sendo esse é um problema que está diretamente relacionado à realidade do país, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que estão preocupadas em preservar os diversos idiomas indígenas como peças chave na construção da história nacional. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à identidade para população. Decerto, isso fica claro na superficialidade de abordagem da BNCC-Base Nacional Comum Curricular, sobre os diferentes povos indígenas, essa falta de aprofundamento atrapalha a construção do sentimento de pertencimento a essas culturas e incentiva a sua obsolescência.

Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que não procura conhecer mais profundamente as palavras de origem indígena que estão inseridas no cotidiano do povo brasileiro nos nomes de ruas, plantas e até mesmo cidades. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato é verificado na falta de valorização dos idiomas nativos, que ainda é visto de forma caricata pela maioria da população, como resultado dessa desvalorização ocorre a extinção das línguas, que deixam de ser transmitidas entre as gerações, gerando um prejuízo social incalculável.

Diante desse cenário, é mister que o Ministério da Educação aprimore o estudo da importância das línguas indígenas por meio da reformulação do BNCC, a fim de incluir os diferentes povos nativos no contexto histórico nacional, sendo isso necessário para a preservação dos idiomas quase extintos. Além disso, o Estado deve promover palestras com a finalidade de educar o provo brasileiro sobre a importância da valorização das línguas indígenas, para que, gradativamente, a imagem do índio como símbolo nacional almejado José de Alencar seja alcançada.