A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 25/09/2020
A utilização da língua Tupi, pelos jesuítas, no Período Colonial representou uma importante forma de conservação da linguagem dos índios, facilitando a comunicação entre os diferentes povos. No entanto, a contemporaneidade brasileira demonstra que o crescente desaparecimento das línguas indígenas no Brasil representa um contínuo processo de desmaterialização das memórias colonialistas no contexto atual. Nesse sentido, o contato com os diferentes hábitos culturais e a desvalorização dos elementos indígenas representam obstáculos na garantia da democratização linguística brasileira.
Em primeiro lugar, a obra “Macunaíma”, produzida por Mário de Andrade, retrata o processo de transformação do índio ao ser seduzido com as novidades urbanas. Desse modo, a personificação da ficção na realidade brasileira é observada no contato dos povos indígenas com outros hábitos culturais, visto que esses indivíduos, para serem incluídos socialmente, passam a abandonar costumes tradicionais, principalmente o seu idioma. A exemplo disso, o crescente desaparecimento de tradições, histórias e linguagens próprias desses grupos ameríndios, de acordo com um estudo feito pela UNESCO. Dessa forma, a abdicação das próprias raízes, como tentativa de se adequar ao “padrão urbano” para conquistar um espaço na sociedade, representa uma realidade cada vez mais recorrente no Brasil.
Além disso, a desvalorização dos elementos aborígenes representa um grande potencial para a extinção das línguas indígenas. Prova disso é a constante tentativa da FUNAI em desenvolver programas de revitalização das línguas indígenas e o resgate de práticas socioculturais tradicionais. Diante disso, observa-se que o olhar preconceituoso sobre o falar do índio, visto como “língua minoritária” ou, até mesmo, a análise da cultura autóctone como retrógrada, contribui para a depreciação da história e contribuição dessas comunidades para a formação do país. Logo, a realidade proposta por Oswald de Andrade no Movimento Antropofágico, o qual foi marcado pela valorização da identidade Tupiniquim, encontra-se distante do panorama contemporâneo brasileiro.
Nesse contexto, para que a diversidade linguística brasileira possa ser privilegiada a partir da conservação da língua indígena são importantes medidas interventivas. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com a FUNAI, deve implementar na grade curricular do ensino básico o estudo sobre a cultura dos povos aborígenes, auxiliando na compreensão da importância da linguagem autóctone para a constituição da identidade nacional. Assim também, o mesmo ministério deve atuar no investimento em programas educacionais, os quais possam incentivar a preservação da língua dos índios e poderá, portanto, ser concretizada pela disseminação dos hábitos desses povos.