A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 23/09/2020

Sabe-se que, na obra “Utopia”, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela, pontua-se a ausência de conflitos e adversidades, o que vem inspirando as civilizações ocidentais. No entanto, a sociedade contemporânea tem se afastado desse lugar utópico, devido à extinção de línguas indígenas no Brasil. Logo, é necessário analisar os aspectos dessa questão, além de buscar caminhos a fim de minimizá-la.

Diante desse cenário, vale ressaltar, inicialmente, que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, garante que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, o que se observa, pois, na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade do Estado no que tange a investimentos os quais garantam a permanência das línguas indígenas na nação verde-amarela, uma vez que a cultura dos índios pouco é inserida no cotidiano dos demais nativos. Isso, pode ser comprovado com dados da “Unesco” em que das 190 línguas indígenas presentes no Brasil, 12 já foram extintas. Dessa maneira, é cristalina a necessidade de medidas as quais garantam a efetivação do direito constitucional.

Outrossim, é mister salientar que, conforme o escritor brasileiro Paulo Coelho, tudo o que é feito no presente afeta o futuro por consequência. Prova disso, são os efeitos provocados em virtude do desaparecimento de línguas indígenas, tal como a perda da identidade cultural do país, uma vez que os índios são cidadãos fundamentais no processo da criação da cultura brasileira. Além, de favorecer um processo de aculturação, que consiste na modificação cultural de um grupo que se adapta a outra cultura e retira traços significativos dos costumes de origem. Essa situação pode ser confirmada com reportagem do “Globo Repórter”, em que mostrava todo processo de aculturação de tribos indígenas, na região do Mato Grosso, e, consequentemente, a perda da identidade cultural. Tal contexto, demonstra, por conseguinte um quadro social caótico o qual precisa ser combatido.

Desse modo, é evidente que, medidas exequíveis são necessárias para alterar o cenário do país. Para isso, o Ministério da Educação, órgão o qual é responsável por formular e avaliar a política nacional de educação, deve promover a conscientização das pessoas, sobre a importância da preservação da língua indígena no corpo social, por meio de cartazes, panfletos, já que assim será possível atingir um maior número de pessoas, ademais, deve investir em políticas as quais garantam essa preservação, como a criação de museus próprios para essa parcela da povo brasileira, com intuito de garantir que a cultura indígena não seja extinta. Com isso, será possível aproximar a sociedade contemporânea ao lugar utópico proposto por Thomas Morus.