A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/09/2020
No século XIX, houve um aumento da política do Imperialismo e, com isso, discursos eugenistas tornaram-se mais comuns. Dessa forma, ocorreu uma aceleração no processo de exclusão dos mais oprimidos socialmente. No Brasil, por exemplo, a diversidade linguística foi reduzida rapidamente, haja vista que a inferiorização do índio por setores da sociedade tornou-se mais clara. Nesse sentido, vê-se que a extinção dos dialetos indígenas no país ocorre em razão do processo histórico de marginalização cultural desses povos, mas persiste em virtude do negligenciamento estatal no que se refere ao tratamento desse tema no ambiente escolar.
Em primeira análise, é importante ressaltar que o processo de colonização brasileira provocou uma enorme queda das civilizações nativas. Nesse âmbito, o sociólogo Karl Marx elaborou a teoria de estudo da história baseada na luta de classes. Para o pensador, os interesses divergentes dos vários grupos econômicos implicam em conflitos. Nesse sentido, a tentativa portuguesa de transformar o Brasil em uma colônia semelhante à Europa, por exemplo, propiciou a exclusão de parte dos índios que não se adequasse a tais padrões impostos. Nota-se, infelizmente, que interesses da classe dominante no que tange à subvalorização da cultura indígena implicaram na exclusão gradual de tais povos da sociedade e, por conseguinte, na desvalorização linguística, uma vez que o incentivo ao aprendizado desses dialetos foi retirado.
Outrossim, é imperativo salientar o descuido de parcela do Estado nacional no processo de reinserção da cultura indígena na sociedade. A esse respeito, a Constituição brasileira de 1988 assegura o direito à educação como uma ferramenta garantidora da inclusão de diferentes povos. Contudo, dados alarmantes da Unesco apontam que cerca de setenta por cento das línguas indígenas correm risco de extinção e, enquanto isso, a marginalização da cultura nativa, evidenciada pela quase ausência do tratamento dessa temática nas escolas, torna-se ainda mais evidente. Percebe-se, então, que o descaso de setores estatais ao descumprir precisamente a Constituição atrapalha a busca por uma educação mais justa.
Em suma, políticas públicas precisam ser tomadas a fim de resolver tal impasse. Cabe ao Ministério da Educação, por intermédio do uso de tecnologias virtuais, criar um site gratuito voltado ao ensino da cultura indígena brasileira aos estudantes- o qual deverá conter vídeos, textos e artes desses povos apresentados por professores formados em sociologia. Esse projeto objetiva não apenas reduzir determinados preconceitos impostos ao longo da história, mas também impedir a extinção das línguas nativas. Assim, procura-se distanciar mais da sociedade imperialista do século XIX.