A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/09/2020
“A anulação do outro é a gênesis do conflito social”. Essa frase do filósofo Mário Sergio Cortella torna-se muito pertinente quando se trata da extinção de línguas indígenas no Brasil, uma vez que não só a ineficiência política, mas também a falta de debate apresentam-se como agentes perpetuadores desse problema no pais. Por isso, medidas são necessárias para reverter este quadro.
Em primeira análise, é fundamental destacar que, para o filósofo Aristóteles, “a política tem como função social promover o convívio harmônico entre as pessoas de uma sociedade”.
Além disso, a Constituição Federal de 1988 reconhece os costumes, crenças e línguas dos povos indígenas do Brasil, cabendo ao Estado a responsabilidade de preserva-los. Entretanto, o que se encontra no Brasil, é uma profunda negligência do Governo em relação a este assunto, uma vez que, segundo a Folha de São Paulo, nenhum tipo de programa de combate à extinção de línguas indígenas, como campanhas e iniciativas , está em vigor atualmente. Dessa forma, é indispensável que haja meios políticos, para que os dialetos dos índios possam ser preservados
Ademais, é importante lembrar que, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista “Superinteressante”, os falantes de um ou mais idiomas indígenas existentes no país representam menos de 1% da população brasileira, o que dificulta a divulgação de informações e, consequentemente, a perpetuação dessas línguas. Somado à isso, é válido ressaltar que os dialetos em risco de extinção só podem ser preservados por meio de documentos escritos e um número mínimo de falantes fluentes, de acordo com dados da BBC. Por outro lado, as discussões à cerca da importância dessa tema são insuficientes, uma vez apenas 25% dos brasileiros consideram relevante a preservação de línguas indígenas, segundo uma pesquisa realizada pelo IBOPE. Dessa maneira, é importante promover a discussão sobre este assunto.
Sendo assim, entende-se que é primordial que o Governo brasileiro crie meios políticos para assegurar a preservação de línguas indígenas no país, por meio da criação de programas de proteção, com a promoção do ensino desses idiomas à população residentes em regiões próximas as terras indígenas e com a documentação dessas línguas na forma escrita e falada, para que o direito previsto na Constituição Federal possa ser garantido. De maneira análoga, urge que a mídia, em parceria com a Escola, possam promover o debate a cerca da importância desse tema, por meio de campanhas na rádio, na televisão e na internet que levem as informações de forma clara e acessível , bem como com rodas de conversa e debates em âmbito escolar e público, para que a anulação do outro, como dito por Mario Sergio Cortella, não seja uma característica do povo brasileiro.