A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 25/09/2020

No quadro “A Negra”, de Tarsila do Amaral, a intenção da artista em construir uma linguagem artística com fortes traços nacionalistas é evidenciada por meio da ilustração de uma figura cujo fenótipo busca representar a verdadeira identidade brasileira. Não obstante dessa valorização apresentada pela pintora, hodiernamente a apreciação nacional deixou de ter notoriedade, como pode-se observar pela extinção de línguas indígenas, símbolo pátrio. Desse modo, é premente analisar como a falta de proteção dos territórios desses povos e da valorização de seus costumes promovem essa adversidade.

Em primeira análise, é lícito postular como a precária demarcação das terras propulsiona esse problema. De acordo com o jornal “El País”, durante o governo de Fernando Collor 145 terras foram demarcadas, em contrapartida, no atual governo de Jair Bolsonaro não houveram demarcações. Nesse sentido, é possível notar o relapso com a verificação do direito desse povo ao acesso à terra, assim como, na preservação de seus hábitos. Como evidência disso, o professor da Unicamp, Corbera Mori, afirma que essa perda de autonomia sobre o território gera a dispersão dos indivíduos e, concomitantemente, de sua cultura até que se torne extinta.

Faz-se mister salientar, ainda, a escassa valorização dos costumes dos indígenas por toda a civilização. Segundo a professora Maria Sandallo, a diversidade cultural de um país não representa apenas a pluralidade étnica, mas a riqueza em conhecimento. Isto é, a perda desses idiomas representa o desaparecimento de princípios da fauna e flora que os anfitriões possuem e que seriam passados a diante. Ainda, a música “Índios”, do Legião Urbana, demonstra claramente o descuido a manutenção de culturas as quais foram a base na formação nacional quando diz: Quem me dera ao menos uma vez, fazer com que o mundo saiba que seu nome está em tudo e mesmo assim ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas as quais favoreçam a valorização desses povos. Logo, urge que o Poder Legislativo, por meio da maior parcela dos tributos, fortaleça as leis existentes e fiscalize o cumprimento delas, com o objetivo de garantir a moradia das tribos e a preservação cultural. Ademais, o Ministério da educação em parceria com a Fundação Nacional do Índio, deve promover programas aos ensinos infantil, fundamental e médio, os quais articulem atividades que possibilitam aos estudantes o ensino sobre a importância do indígena na formação territorial, linguística e cultural como um todo. Desse modo, será possível a retomada da visão de prestígio apresentada por Tarsila.