A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 23/09/2020

A extinção de línguas indígenas encontra, no Brasil, uma série de agravantes. Essa tese pode ser comprovada por meio de dados divulgados pela ONU, os quais apontam que o país é o terceiro com maior número de dialetos em risco de obsolescência. Nesse sentido, faz-se necessário intervir para alterar essa situação, uma vez que os nativos estão com seus direitos vilipendiados, confrontando, portanto, o artigo 210 da Carta Magna, que deveria preservar o respeito a utilização de suas línguas maternas.

Em primeira análise, a negligência governamental com poucas políticas destinadas aos idiomas dos autóctones mostra-se como um dos desafios à solução. Isso porque escassos recursos são destinados pelo Estado para a valorização desses vocabulários, bem como para o reconhecimento no ensino básico brasileiro, ocasiona-se assim, indiferença e desconhecimento por maior parte da população. Ademais, nota-se pouca representatividade nos meios de comunicação, o que é primordial para o respeito com os idiomas aborígenes. Dessa forma, o descaso estatal, ao investir minimamente na difusão de línguas indígenas, dificulta a preservação desse direito social tão importante.

Em segunda instância, além da ineficiência publica em disseminar valores positivos sobre os nativos para a sociedade, a invasão de suas terras apresenta-se como outro fator agravante na extinção de línguas indígenas. Essa forma de desrespeito não é recente na história brasileira: já na conquista do Brasil, Portugal mostrou seu lado nefasto, impondo o extermínio aos nativos em busca de um objetivo — tomar posse de seus territórios. De acordo com Gramsci, filósofo, as classes dominantes controlam os dominados para que esses vivam em submissão. Diante do exposto, é fundamental ressaltar que a invasão de áreas demarcadas reverbera na sociedade coetânea para fins de atividade econômica. Os índios, desse modo, estão tendo todos os direitos como cidadãos brasileiros negados.       Diante dos argumentos supracitados, urge que o Estado, por meio do direcionamento de recursos ao Ministério da Justiça, por conseguinte, a FUNAI — Fundação Nacional do Índio —, efetive maior fiscalização e comprometimento com áreas de demarcação indígena, com investimento em tecnologia de monitoramento e capacitação profissional de agentes da lei para intervir nessa situação, objetiva-se assim, fazer presente o respeito à cidadania brasileira do índio. Em suma, é preciso agir sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Beauvoir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.