A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 20/10/2020
Em homenagem a um povo guerreiro, que resistiu duramente por 520 anos - às invasões, genocídios e doenças trazidas pelos europeus -, o dia 19 de abril foi consagrado como o Dia do Índio.Felizmente, contra todas as apostas, os indígenas remanescentes não só sobreviveram, bem como resistiram à ocupação.Entretanto, ainda hoje sofrem danos em sua organização: a desvalorização de seu povo e a influência dos costumes contemporâneos.Consequentemente, não só sua cultura, como também seus inúmeros dialetos são ameaçados .Vale, portanto, remediar tal problema.
Inicialmente, é preciso atentar para a incapacidade do Brasil de acolher - cultural e socialmente - seus habitantes originais, agindo como se tais não integrassem o país e sim fossem um povo à parte.Segundo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), pela falta de atenção e proteção efetiva da União,as tribos são altamente vulneráveis à biopirataria,onde cientistas, enviados por empresas,apropriam-se do conhecimento dos nativos e de seus recursos.Além disso, seus territórios têm sofrido constantes invasões por latifundiários.
Ademais, no cotidiano, é comum ver nas tribos, os povos falando português, vestindo roupas e usando aparelhos eletrônicos.Essa influência os expõe à perda de muitos traços culturais.Segundo Ailton Krenak, na obra “Ideias para adiar o fim do mundo”, ainda existem propostas de integrar os indígenas na sociedade “civilizada” moderna.A diminuição do valor de sua cultura, desestimula as novas gerações a prosseguir com suas produções e hábitos.
Portanto, observa-se que as arremetidas contra esses povos, mina a propagação de seus saberes e línguas. A fim de enfrentar a iminente morte de muitas delas, a FUNAI e o Ministério da Educação, devem intensificar as pesquisas e catalogação dos dialetos existentes e agregar o idioma Tupi nos Centros de Estudo de Línguas (CEL).Objetivando o registro escrito de seus dialetos, facilitando a difusão e o estudo deles e, também, configurar as escolas para um ensino bilíngue de tupi e português. E assim, reconstruir a identidade nacional, assumindo os indígenas e dando-lhes o valor e respeito mais que merecidos.