A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse sentido, é notório a importância das línguas indígenas como instrumento para a construção de uma sociedade mais culta. No entanto, o Brasil hodierno enfrenta desafios com a crescente extinção do falar indígeno. Essa realidade se deve, essencialmente, à ausência de políticas públicas que valorizem a cultura linguística dos povos indígenas, aliado a um forte eurocentrismo praticado pela atual sociedade.
Em primeiro plano, pode-se destacar a desvalorização das línguas indígenas como uma das causas do problema. Sob esse viés, o documentário “Terras Brasileira” mostra a luta dos jovens índios para serem alfabetizados no Brasil devido a incompreensão da língua portuguesa e a falta de intérpretes nos centros de ensino. Nesse contexto, essa situação demonstra uma forte superioridade do português, uma vez que classificamos popularmente como língua oficial, enquanto o Tupi-Guarani ou o Tupinambá são apenas dialeto. Dessa forma, com a crescente desvalorização das línguas indígenas em espaços públicos como, escolas teatros e cinemas o aspecto cultural e identitária das línguas acabam desaparecendo ao longo dos tempos.
De outra parte, é preciso pontuar o eurocentrismo como um dos impulsionadores do impasse. Segundo Milton Santos, a globalização se dá por três víeis, sendo um deles como perversidade. De acordo com essa ideia, o encurtamento entre locais outrora distantes diminuiu, por outro lado, laços próximos se afrouxaram. Enquanto isso, a supervalorização da cultura estadunidense/europeia fez com que a cultura nacional fosse desprestigiada. Como consequência, uma vez que a cultura indígena e sua língua se distancia perceptivelmente do padrão europeu, essa é vista como inferior e motivo de vergonha.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem tal quadro. Acerca disso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve adotar nas matrizes curriculares das escolas, as línguas indígenas como disciplinas de estudo, objetivando a construção do conhecimento a respeito das línguas indígenas que, por sua vez permitirá uma maior inclusão social dos indivíduos de diferentes culturas nos centros públicos do país. Ademais, urge ao Governo Federal criar, por meio de verbas governamentais, palestras e simpósios, os quais elucidem a importância cultural das línguas indígenas, com intuito de preservar e valorizar a identidade desses povos, desconstruíndo o eurocentrismo da sociedade brasileira.