A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 23/09/2020
No hiato correspondente aos séculos XV e XVI, as nações europeias, por meio do processo marítimo, determinaram a expansão de suas soberanias aos continentes ainda não explorados. Desse modo, a América do Sul foi, majoritariamente, colonizada pelas nações ibéricas e, por isso, teve sua cultura liquidada em detrimento dos costumes oriundos da Europa. Por conseguinte, na sociedade hodierna, observa-se as consequências desse processo histórico, no que tange à deficiência na apreciação do conhecimento local e à mínima representatividade de indígenas em relevantes posições sociais, fatores que contribuem, efetivamente, para o desaparecimento das línguas dessas populações.
Outrossim, o livro pré-modernista “O triste fim de Policarpo Quaresma” retrata a insistência de um civil na busca pela aceitação da língua Tupi como primordial para a sociedade brasileira, visto que essa seria o idioma original do Brasil, por possuir heranças diretas dos primeiros povos. Não obstante, assim como na trama do romance, a cultura indígena tem perdido o pouco espaço que havia conquistado na sociedade atual, considerando-se que o país é terceiro com o maior número de línguas ameaçadas; Portanto, a partir das inúmeras perdas históricas durante o processo de colonização, nota-se que o restante logo se esvairá, caso atitudes responsáveis não sejam tomadas.
Consoante a essa linha de raciocínio, o documentário “Ao sul da fronteira” de Oliver Stone reitera a relevância da representatividade indígena para uma sociedade também composta por eles, ou em sua maioria, como é o caso da Bolívia. Embora no século XV a população brasileira tenha sido composta, absolutamente, pelos povos nativos, grande parte das gerações posteriores sequer compreendiam a relevância deles para a construção das sociedades atuais e da história do Brasil, fator que foi amplamente influenciado pela baixa frequência desses em diversos ramos da comunidade nacional. Destarte, faz-se necessário que a nação brasileira se espelhe na população boliviana, a qual foi responsável pela interpretação justa de sua identidade nacional ao eleger um indígena à presidência.
Mediante os argumentos desenvolvidos, torna-se imprescindível que ações estatais sejam tomadas. Para tanto, urge que órgãos como a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e o Ministério da Cidadania atuem em sincronia, no que tange a maior inclusão dos povos indígenas na sociedade e o maior apreço à cultura original desse país, por meio de programas inclusivos dessa etnia em vários setores da comunidade e episódios televisivos voltados para expressão dessa cultura, cujo intuito seja a universalização dos direitos do cidadão brasileiro. Assim, o Brasil tornar-se-á um país defensor de sua ancestralidade e de suas etnias.