A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 23/09/2020

No livro “Policarpo Quaresma” escrito por Lima Barreto, Policarpo era um ufanista que trabalhava para o Ministério da Guerra, e muitas vezes alvo de piadas feitas pelos seus colegas, pois tinha ideias de traduzir documentos para o idioma tupi-guarani. Fora da ficção, é de suma importância que esse assunto seja posto em pauta e levado a sério, visto que as línguas indígenas no Brasil estão sendo extintas, mesmo possuindo uma alta importância na história do país. Dessa forma, faz-se necessário analisar as causas do problema a partir de uma dimensão cultural e também de uma questão política, para que seja possível garantir a preservação desses dialetos.

Primeiramente, os indígenas foram escravizados e mortos pelos europeus que chegaram no Brasil no século XVI, desde então, esses povos vêm sofrendo muito, com dificuldades para manter suas terras, poucas leis de proteção, perseguições, exclusão social e preconceito. Por isso, foi enraizado na sociedade a ideia de que o índio não é brasileiro, não merece respeito e cada vez mais  os discursos de ódio contra eles aumentam. Dessa maneira, não há, por parte da população não indígena brasileira, um movimento ou apoio para a recuperação e preservação da cultura nativa.

Em segundo lugar, segundo o jornal Nexo, no dia 8 de Julho de 2020, o presidente Jair Bolsonaro vetou 16 itens de um projeto de lei. Bolsonaro impediu a liberação de verba emergencial para a saúde indígena, derrubou um trecho que obrigava o governo a fornecer água potável, materiais de higiene e limpeza, instalação de internet e distribuição de cesta básica nas aldeias. As ações anti-indígenas aliadas com a extinção do Ministério da Cultura, são responsáveis, não só pelo fim das línguas aborígenes no Brasil, como também pelo povo em si.

Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Além de reforçar o estudo sobre os índios nas escolas, o governo deve proteger a cultura e população indígena, por meio da criação e aprovação de mais leis com esse intuito. Ademais, o Estado pode contar com a ajuda de organizações não governamentais (ONGs), que ajudem a visitar as aldeias, coletando informações sobre as línguas e armazenando como documentos digitais, com a finalidade de impedir a falta de registros e, consequentemente, a extinção de idiomas. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que possamos viver em uma sociedade na qual pessoas como Policarpo Quaresma não sejam criticadas por tentar salvar uma língua indígena, assim como na obra, mas sim apoiadas.