A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 06/12/2020

A série canadense “Anne with an e” retrata em alguns de seus episódios a história de uma garotinha indígena que foi afastada de sua tribo miquemaque para aprender inglês em uma escola distante. Entretanto, os métodos da escola religiosa são essencialmente abusivos, impondo costumes ingleses às crianças para que essas deixem de agir de seu modo naturalizado e esqueçam suas origens. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange a questão da extinção de línguas indígenas no Brasil, uma vez que a sociedade ainda oprime a linguagem desses povos. Nesse contexto, torna-se evidente como causas o legado histórico brasileiro, bem como uma base educacional lacunar.

Em primeiro plano, a herança histórica brasileira de exclusão da cultura indígena, caracteriza-se como complexo dificultador. Nesse sentido, desde o início do século XVI, com a chegada oficial da colonização portuguesa ao Brasil, cultiva-se a ideia de que esses moradores nativos precisam ser civilizados, surgindo assim a catequização jesuíta para uma homogeneização cultural baseada na educação europeia. Sendo assim, nota-se que a sociedade brasileira atual ainda carrega vestígios dos pensamentos do período colonial, uma vez que ainda exige — mesmo que indiretamente — que esses povos se encaixem aos padrões sociais, contribuindo para o extermínio de suas culturas, e consequentemente, perdendo suas línguas nativas.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da lacuna educativa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema. Nessa perspectiva, o sociólogo francês Émile Durkheim afirmava que o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Nesse sentido, o psicólogo suíço Jean Piaget defende que o  principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram. Logo, percebe-se que sem o conhecimento desse contexto problemático de perdas das línguas nativas, as pessoas não conseguem mudar o costume de exclusão cultural desses povos e permanecem repetindo esse erro.

Destarte, é nítido que a extinção de línguas indígenas no Brasil é um problema que precisa de contornos específicos. Portanto, é necessário que o Mec em parceira com o Programa Nacional do Livro Didático, desenvolvam uma atualização nos livros didáticos de História, por meio da sugestão de projetos que discutam o legado histórico brasileiro relacionando-se ao problema. Ademais, tais projetos poderiam fomentar  a criação de uma Olimpíada de História para o século XXI, para que a questão do extermínio de linguagens nativas seja compreendida em sua totalidade e possa proporcionar avanços que o desamarem de seu passado excludente, uma vez que a população estará consciente da importância dessas línguas.