A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 24/09/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos ou problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor pregava, uma vez que a extinção das línguas indígenas no Brasil apresenta barreiras as quais, dificultam a concretização dos sonhos de More. Esse cenário antagônico, é fruto tanto pela incompetência do Estado em proteger os falantes de línguas indígenas, quanto do passado histórico do Brasil colonial. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.

Mormente, é fulcral pontuar que a extinção dos idiomas indígenas brasileiros deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, tal fato não ocorre no Brasil. Devido a incompetência das autoridades em proteger as línguas indígenas remanescentes, cerca de 190 idiomas nativos do Brasil estão em risco e 12 deles já foram extintos, de acordo com dados do site da Corporação Britânica de Radiodifusão (BBC). Por consequência, esses povos perdem a cada dia sua ancestralidade e parte de sua cultura. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Além disso, é imperativo ressaltar o passado histórico do Brasil colonial como uma das causas do problema. Durante o período colonial, os jesuítas começam a usar o tupi como uma espécie de língua geral, o que foi visto pela Coroa portuguesa como uma ameaça. O tupi, e posteriormente outras línguas indígenas, foram proibidos. Partindo desse princípio, o Estado desde a colonização corrobora para a extermínio dos dialetos nativos, destruindo pouco a pouco a cultura indígena. Todos esses fatores retardam a resolução do empecilho e contribuem para a sua perpetuação.

Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para a resolução do imbróglio, levando-se em consideração as questões abordadas. Dessarte, com o intuito de mitigar a extinção das línguas indígenas no Brasil, necessita-se que o Governo Federal promova uma maior proteção dos povos nativos, por maio da maior fiscalização dos parques de proteção de indígenas, com a introdução de um maior número de fiscais nessas áreas. Dessa maneira, atenuar-se-á, o impacto nocivo do desaparecimento dos dialetos nativos brasileiros, e assim a coletividade alcançará a Utopia de More.