A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 24/09/2020

Durante o período pré-colombiano, a América possuía uma grande diversidade de culturas indígenas, nas quais destacavam-se diferentes economias, religiões e idiomas. Nessa lógica, o Brasil antes dos colonizadores era semelhante à América, com cerca de 1500 línguas indígenas existentes. Entretanto, mesmo com a Constituição garantindo a preservação do patrimônio linguístico indígena, nota-se que tal prerrogativa não tem se reverberado na prática, já que atualmente o Brasil é o terceiro país com o maior número de línguas ameaçadas. Nesse panorama, a insistência do neologismo e a escassez de estudos sobre o povo indígena contribuem para que se torne árduo o caminho para a preservação linguística de fato.

A priori, seria negligente não notar que a prática da neologia é uma das principais causas dessa problemática. Esse fenômeno se caracteriza pelo emprego de novas palavras em uma língua já existente, e da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. No entanto, de acordo com a coordenadora nacional do Programa de Escolas Associadas (PEA), o neologismo resulta na desvalorização dos povos indígenas, ou seja, as línguas que carregam conhecimento, informações, características próprias e a verdadeira identidade do Brasil encontram-se vulneráveis. Assim, percebe-se que a imposição neológica é muitas vezes prejudicial e pode contribuir para a expansão desse entrave cultural.

Em segundo lugar, a escassez de estudos sobre os indígenas colabora com a extinção da cultura e língua desses povos. Para o filósofo indígena Daniel Munduruku, “é preciso que as escolas resgatem nas crianças a sensação de pertencimento e autoestima de ser brasileiro.” Lamentavelmente, essa reflexão age em contradição com o ensino atual, pois as crianças costumam “conhecer” a cultura indígena apenas em 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas. Assim, elas crescem sem entender adequadamente a verdadeira descendência por trás de tantas criações neológicas.

Portanto, é necessário que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação adicione na carga horária escolar uma matéria relacionada à cultura indígena, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmera dos Deputados. Esta deverá constar que todas as escolas acrescentem um período de aula destinado ao estudo cultural, e poderá incluir projetos culturais e palestras. Tal lei deverá ser formulada a fim de disseminar a importância da preservação da língua do povo indígena. Assim, espera-se que as crianças cresçam conscientes e, proporcionalmente, seja mitigado o descaso com a diversidade linguística indígena.