A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 24/09/2020

A primeira fase do movimento romântico brasileiro tem como principal tema a exaltação da figura do índio. Sob essa ótica, ao se observar a gradativa extinção das línguas indígenas ao longo da história do país, é evidente que apenas a imagem do índio foi exaltada, já que a cultura desses povos nunca foi devidamente valorizada e disseminada. Isso deve-se, principalmente, à passividade governamental frente a questão, não estimulando a abordagem do tema nas escolas, nem disponibilizando meios de disseminação da língua indígena, acarretando assim na desvalorização da cultura originalmente brasileira.

Primeiramente, é valido destacar que a displicência governamental corrobora para esse cenário. De acordo com o capítulo III da Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, é dever do Estado apoiar e incentivar a valorização e difusão de valores culturais brasileiros. No entanto, a escassez de recursos que promovam a perpetuação dos valores culturais indígenas, como sistemas de fácil acesso às línguas ou costumes, torna notório que a premissa constitucional apontada é desvalorizada pelo governo.

Consequentemente, a negligência estatal frente a problemática é refletida na carência de discussões em ambientes escolares. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Dessa forma, a não abordagem com relação a pluralidade linguística e cultural presente no país, acarreta no desenvolvimento de um sentimento de indiferença na população a respeito  da questão, acarretando na não preocupação popular em manter esse patrimônio brasileiro.

Infere-se, portanto, que a carência de políticas que promovam a disseminação das línguas indígenas é um entrave que deve ser solucionado. Logo, a Secretaria Especial da Cultura deve, por meio de acordos com aldeias indígenas, criar um material didático, que contenha as regras linguísticas desses povos, assim como seus costumes, crenças, musicas e outras manifestações culturais, que deverá ser disponibilizado virtualmente e fisicamente, a fim de disseminar e eternizar essas culturas. Além disso, o Ministério da Educação deve adicionar à Base Nacional Comum Curricular a obrigatoriedade do ensino de culturas indígenas nas salas de aula, por meio do material didático apresentado, para que seja possível formar cidadão mais conscientes sobre a pluralidade cultural do país. Só assim será possível promover a valorização do índio, não somente de sua imagem como fez o romantismo, mas de sua cultura, para que seja possível assegurar a existência das línguas desses grupos.