A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 24/09/2020
No livro “Nove Noites”, de Bernardo de Carvalho, é comentado o estado de exclusão social que tribos - como a dos índios Trumai - sofrem no Centro - Oeste brasileiro, onde suas culturas caíram em abstração. Fora do mundo literário, é evidente que, no Brasil, a cultura indígena ainda não recebe a devida atenção, o que se mostra na extinção das línguas de inúmeras tribos espalhadas pelo país. Acerca das causas desse problema, pode-se citar tanto a negligência, por parte do Estado, em apoiar a educação indígena, como a falta de espaço para o cultivo cultural e econômico dessas comunidades.
A priori, basta-se citar que, por falta de incentivo governamental, segundo o Ministério da Educação, o número de professores formados e especializados anualmente para darem aulas em tribos indígenas na língua local é muito pequeno em relação a quantidade de novos alunos que surgem periodicamente nessas comunidades - o que gera o sucateamento das salas de aula. Sob tal óptica, é induzida não só a entrada, nessas comunidades, de professores não adeptos da cultura local para reduzir a lotação nas escolas, como a migração de indivíduos indígenas para instituições educacionais externas a sua tribo. Dessa forma, considerando o demasiado contato e incentivo - proporcionados pelos fatores mencionados - ao aprendizado das línguas e culturas externas à tradição local, há o enfraquecimento e até extinção das línguas indígenas.
Além disso, vale comentar que os reservas destinadas às tribos indígenas no país são insuficientes para a manutenção e cultivo da cultura local. A esse respeito, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, menos de 12% do território nacional é destinado a preservação das comunidades indígenas, o que prejudica sua subsistência e, consequentemente, sua cultura. Tal fato ocorre, pois, com a falta do espaço necessário para o cultivo de alimentos e desenvolvimento da comunidade, há o crescimento de intercâmbios desregulados entre a tribo e instituições sociais não condizentes com a cultura indígena - como o mercado de trabalho brasileiro. Por conseguinte, como dito pela Fundação Nacional do Índio, a prática da língua e cultura indígena cede espaço para a cultura globalizada e é, gradativamente, substituída com o passar das gerações.
Portanto, é evidente os motivos que promovem a extinção das línguas indígenas e a necessidade de combatê-los. Para tanto, o Poder Legislativo deve, por meio de uma lei entregue à Câmara dos Deputados, estimular o aumento dos territórios nas aldeias do país. Assim, essa lei estabelecerá que cada governo estadual reserve, no mínimo, 10% de seu território aos indígenas locais. Outrossim, a Secretaria de Educação Básica deve oferecer cursos gratuitos a qualquer indígena que desejar ser professor em sua tribo. Com isso, as línguas indígenas terão menores riscos de cair em extinção.