A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 15/10/2020
Conforme a máxima do político chileno Pablo Neruda, a cruz, a espada e a fome iam dizimando a família selvagem durante a colonização ibérica. Nesse sentido, a histórica desvalorização dos povos autóctones explica, hoje, a displicência com a contribuição cultura deles com a formação da sociedade verde e amarela, o que reflete na extinção das línguas indígenas, no Brasil. Com efeito, a mazela evidencia-se, sobretudo, pelo preconceito, sendo que, consequentemente, pode acarretar o esquecimento dos índios e a sua atuação na cultura brasílica.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a intolerância às línguas indígenas por uma parcela substancial da população brasileira é uma problemática. Acerca disso, o médico Sigmund Freud, em seu livro Totem e Tabu, descreve os totens como elementos importantes para uma povo, enquanto os tabu são condutas reprováveis, sendo assim, pouco discutidos. Posto isso, o tabu das línguas indígenas ocorre por conta da visualização depreciativa dessas, em razão da falácia popular de se tratar de formas comunicativas utilizadas por “povos primitivos”. Sendo que, isso não passa de uma informação falsa e perigosa, devido à aproximadamente 90% dessas linguagens , existentes no Brasil pré-colonial, hoje, estarem extintas, segundo dados do jornal Globo. Destarte, é inadmissível a atuação civil na permanência do estorvo.
Por conseguinte, a perda das línguas indígenas afeta diretamente a integridade do Brasil. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, o enriquecimento da experiência social dos indivíduos - a convivência em sociedade - é fruto da valorização da cultura local e o seu significado histórico. Logo , o apagamento das línguas indígenas pelo preconceito é indiferente com a forte contribuição deles com a formação social do Brasil. Comprova-se, então, a participação ativa dos índios pelo uso de dialetos dos nativos corriqueiramente na sociedade, como catapora e guanabara. Todavia, apesar disso, uma pesquisa divulgada pela UNESCO afirma que das 247 línguas indígenas restantes, apenas uma diminuta parcela da população brasileira é realmente capaz de se comunicar por meio delas. Destarte, a manutenção da interpretação dos índios como uma porção trivial, como analisado por Neruda, é algo grave, sendo assim, nociva também para a evolução da vivência coletiva.
Portanto, a fim de promover um hiato entre o quadro descrito por Neruda e o atual, é necessário combater a extinção das línguas indígenas no Brasil. Dessa maneira, a mídia deve promover ações de “merchandising” social por meio da inserção de temas relacionados ao debate em telenovelas. Enquanto isso, fertilizar uma reflexão da comunidade sobre a importância do respeito ao índio. Espera-se,a “totemtização” do discurso sobre a mazela, como ,também, o reconhecimento da cultura indígena.