A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/09/2020

Segundo o CENSO, realizado pelo IBGE em 2010, estima-se a presença de aproximadamente 1 milhão de indígenas e 274 línguas faladas por eles. Nesse sentido, verifica-se a vasta dimensão e variedade da cultura dos índios no Brasil, que, infelizmente, está gradualmente sumindo do tecido social contemporâneo. Com isso, esse desaparecimento tem como causas o preconceito e a intolerância praticados pelos brasileiros contra essa minoria social.

Em uma primeira análise, é de conhecimento geral a grande diversidade cultural no contexto brasileiro, que, com o passar dos anos, foi deglutida por uma população etnocêntrica, de raízes históricas dos grandes colonizadores europeus. De acordo com a UNESCO, o desaparecimento das línguas indígenas é evidente: cerca de 90% desses idiomas foram extintos. Dessa forma, é possível depreender dessa porcentagem alarmante que o preconceito linguístico advindo de muitos brasileiros, a partir de uma ideia de superioridade da língua portuguesa, contribui para o afunilamento desses idiomas no território nacional.

Paralelo a isso, a falta de tolerância com a cultura alheia favorece o aculturamento, ou seja, a prevalência de certas cultura sobre outras, que tem grande impacto na sociedade indígena, protegida por lei. É válido citar o Artigo 225 da Constituição Brasileira, na qual se afirma o direito de cultura do cidadão. Desse modo, a intolerância com as diferenças linguísticas e sociais, mesmo que sejam ilegais na constituição,  atua de forma nociva e torna, para os índios, um desafio viver em uma sociedade excludente.

Em síntese, o preconceito e a intolerância cultural favorecem o processo de desaparecimento das línguas indígenas. Com isso, o Ministério da Educação deve ampliar o entendimento, de forma humanizada, sobre a rica diversidade indígena, por meio de palestras que debatam a relativização cultural nas escolas. Dessa forma, será possível o fortalecimento da ideia de preservação das diferentes culturas ainda existentes, para que um convívio harmonioso entre a população brasileira e indígena seja possível e se torne uma realidade.