A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/09/2020
Em 22 de abril de 1500, os portugueses comemoravam euforicamente a descoberta de novas terras, depois de tantos meses de busca. Entretanto, o termo ‘descobrimento’ é um pouco equivocado, se pensar que já haviam outros povos vivendo no Brasil. À medida que os europeus se instalaram aqui, eles fizeram de tudo para impor seus costumes e acabar com a cultura e a vivência dos nativos. Desde então, os povos indígenas sofreram e sofrem diariamente com essas interferências, e agora mais do que nunca, as línguas estão sendo muito prejudicadas e até mesmo extintas, e portanto, medidas devem ser tomadas a fim de preservar uma parte tão significativa da cultura como o idioma.
Em primeiro lugar, segundo uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e divulgada em março de 2016, das cerca de 1,5 mil línguas indígenas existentes no período de descobrimento do Brasil restam apenas 181, das quais 115 são faladas por menos de mil pessoas. Ademais, segundo esse mesmo estudo, o Brasil é o terceiro país com o maior número de línguas ameaçadas. Como resultado disso, fica claro que cada vez mais os povos indígenas estão perdendo uma parte da sua representatividade na cultura brasileira.
Em segundo lugar, é necessário que a sociedade entenda que a língua de um povo não é somente uma idioma. Ela traz consigo todo um conhecimento maior, representa parte da luta histórica dessas populações, o cotidiano dos povos, entre tantos outros. É preciso reconhecer que, para qualquer povo, sendo numeroso ou não, a língua representa um elemento vital e portanto a sua morte seria uma perda irrecuperável. Acima de tudo, a valorização e preservação das línguas é um direito universal que deve ser defendido por todos.
Diante disso, fica claro a necessidade da preservação das línguas indígenas brasileiras, para que elas sejam cada vez menos extintas. O governo, juntamente com a Funai (Fundação Nacional do Índio) e o Ministério da Educação, deve implantar na carga horária estudantil, debates sobre a importância e a história da cultura indígena no Brasil, a fim de passar aos alunos um pouco da vivência e da luta dos índios. Ademais, com a intenção de espalhar esse conteúdo, o Ministério da Ciência e Tecnologia, financiado pelo governo, pode promover sites e aplicativos para o armazenamento dessas línguas de uma forma gratuita, para que todos possam ter acesso. Quem sabe assim, a sociedade brasileira passe a entender e valorizar mais a cultura e a língua dos povos que representam o início do desenvolvimento do país.