A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/09/2020

A extinção no Brasil não para nos animais e plantas, mas também abrange a cultura indígena. Foi constatado que em breve se perderão 190 línguas indígenas, e com elas, as heranças de um povo que merece respeito. O descaso com a existência desses índios no país evidencia cada vez mais a perda cultural dos verdadeiros nativos, e isso se salienta ainda mais com a perda de variedade linguística no tão amado lar da diversidade.

Sobretudo é necessário destacar a importância da língua na cultura, “Se a língua se perde, se perde a medicina, a culinária, as histórias e o conhecimento tradicional” relatou Angel Corbera Mori, linguísta do Instituto de estudos da linguagem da Unicamp para a BBC news. Dessa forma é possível considerar que o afastamento de um índio de sua língua o afasta de suas raízes. Ainda segundo Corbera, o principal motivo para a extinção das línguas é a invasão dos territórios indígenas, pois não adiantam políticas de preservação da cultura se não há lugar onde esses índios possam manifestar seus conhecimentos e viver em sua rotina normal.

Além disso com o perigo de perderem seu lar e ficarem sem local para plantio de comida e caça, muitos índios migram para áreas urbanas onde sua cultura e língua são rejeitadas e, com isso, acabam por deixa-las para trás. Apesar de serem o berço da população brasileira, seus costumes são ignorados e não compreendidos pelas pessoas da cidade, caso que  se deve ao preconceito estrutural com o índio. A língua indígena foi proibida na colonização e resquícios dessa antipatia também se tornaram expressos na era Vargas, onde apenas poderiam existir escolas com ensino em português, apenas em 1988 foi erradicada tal lei, permitindo aos índios acesso a educação, na teoria.

Em virtude desses fatos, conclui-se que a cultura indígena, assim como todas as outras, merece respeito, e dessa forma, há de se preservar as suas línguas. Para que isso ocorra, é de suma importância que se preservem os territórios dos índios e se invista em estudos das suas linguagens. É essencial que no ambiente urbano seja ensinado a se respeitar diferentes culturas e compreender as dificuldades enfrentadas pelos índios. O direito de existir também é direito de ser como é, seja qual cultura, língua ou cor.