A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/09/2020
O dia do Índio no calendário nacional, é dia 19 de Abril, a avaliação sobre a preservação das línguas indígenas nacionais não mostra um panorama favorável à preservação dessa cultura no Brasil. Uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Estudos da Linguagem(IEL) da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) e divulgada em março deste ano aponta que das cerca de 1,5 mil línguas indígenas existentes no período de descobrimento do Brasil restam 181,das quais 115 são faladas por menos de mil pessoas.
O Programa de línguas ameaçadas de extinção da Unesco existe desde 1993 e a primeira versão do Atlas das Línguas do Mundo em Perigo de Desaparecimento foi publicada em 1996. O documento passa hoje por um processo de revisão e deve incluir em sua próxima versão além das línguas ameaçadas, aquelas que são aparentemente seguras.
Os dados sobre o número de línguas indígenas existentes hoje no Brasil, porém não são exatos. No estudo do IEL são considerados 180 línguas, além da língua geral amazônica Nheengatu. Já os linguistas ligados ao Museu Goeldi apontam a existência de 150 línguas indígenas no Brasil. O Censo de 2010 elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), por sua vez, aponta a existência de 274 línguas faladas por 305 povos indígenas.
Segundo Angel Humberto Corbera Mori, a discrepância entre os dados depende do método utilizado em cada pesquisa. As diferenças entre um número maior ou menor dependem dos critérios que se usam para identificar o que seria uma língua e o que seria um dialeto. As fronteiras entre língua e dialeto não são fáceis de identificar, são necessários estudos sistemáticos de tipo dialetológicos para se chegar a uma conclusão mais adequada".
Mori considera que a defesa dos territórios tradicionais dos povos indígenas é a principal forma de preservar sua língua." É o ponto principal para que eles continuem desenvolvendo sua autonomia no ponto cultural, socioeconômico e religioso. Junto a isso, podemos colaborar com estudos, descrição dessas línguas, materiais escolares e outros fatores que podem ajudar a manter a cultura e a língua tradicional", afirmou o pesquisador em entrevista para o programa Amazônia Brasileira.