A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 19/10/2020

O Darwinismo social, ideal surgido no século XIX, calcava-se na ideia de que existem culturas superiores às outras. O preconceito, então, passou a ter um viés científico, numa tentativa de justificar a dominação dos indivíduos menos favorecidos. De maneira análoga a isso, a extinção das línguas indígenas, naturais do Brasil tendo seu espaço ocupado pelas línguas dos colonizadores. Nesse prisma, dois aspectos importantes se destacam: a falta de representatividade da língua local e o preconceito linguístico com os povos indígenas.

Sob um primeiro viés, a má influência midiática contribui para a existência desse problema. Em “Admiravel Mundo Novo”, do escritor Aldous Huxley, é retratada uma sociedade com suas ideias totalmente manipuladas por meio da repetição diária e exaustiva da mesma informação. Assim, surge uma comunidade totalmente condicionada a seguir a ordem sem levantar qualquer questionamento crítico acerca do mundo ao seu redor. Nos dias de hoje, no Brasil, cenário semelhante se constrói à medida que, as línguas dos povos indígenas, originais brasileiras, são pouco ou nunca retratadas no mundo televisivo, e quando são retratadas acabam sendo de maneira pejorativa ou caricata nos personagens. Consequentemente, com programas diários, a opinião do comentarista da televisão aberta se torna “fato” para o povo em geral, que passa a repetir a opinião sem qualquer tipo de análise, criando, assim, um senso comum pobre, sem levantamento crítico, ético ou moral.

Ademais, convém ressaltar que o problema é pouco debatido. De acordo com o filósofo Johann Goethe, “Nada no mundo é mais assustador que a ignorância em ação”. Nesse sentido, é de extrema importância que a sociedade busque se informar e debater a respeito do preconceito linguístico que os indígenas sofrem, visto que, segundo dados de pesquisas da Universidade Estadual de Campinas os povos indígenas no mundo hodierno, ainda encontram dificuldades para conseguirem trabalhos, devido a problemas no comunicação com colegas e clientes. Portanto, fica evidente que sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é quase utópica. Dessa maneira, é visível que a ignorância humana em não expor o problema em sociedade compromete a solução da problemática.

Portanto, ações são necessárias para atenuar essa questão. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela administração dos aspectos educacionais da nação, promover palestras nas instituições de ensino do país, esses debates devem priorizar a questão da importância e extinção das línguas indígenas brasileiras e os seus malefícios ao corpo social brasileiro. Essa ação deve ser realizada por meio do amplo uso de recursos financeiros destinados ao ministério dessa área, com o intuito de amenizar essa situação e acabar com o preconceito linguístico. Dessa maneira, espera-se que todos ajam com força necessária para destruir a adversidade.