A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/09/2020

Em 1915, Lima Barreto publicou o livro Triste fim de Policarpo Quaresma, em que o personagem principal luta por um projeto excessivamente nacionalista. Na obra, Policarpo tem um plano linguístico-cultural utópico, em que ele pretende instaurar a língua tupi-guarani como idioma oficial do Brasil, como forma de valorização da cultura local. Mesmo sendo um projeto ilusório, a intenção de enaltecer a língua indígena é uma realidade oposta aos dias atuais, já que no Brasil há uma grande desvalorização de idiomas indígenas, fazendo estes correrem risco de extinção e colocar fim em uma vasta cultura.

Primeiramente, é importante destacar que o povo brasileiro não reconhece sua grandiosa riqueza cultural e, até mesmo as escolas e professores, deixam de abordar a questão cultural relacionada ao povo indígena. São raros os livros que discutem a realidade indígena no país, dificultando debates e ampliação de conhecimento sobre a realidade dessa população autóctone. Para se ter ideia, segundo estudo publicado pelo portal UOL, o Brasil já teve 1500 línguas indígenas, e hoje restam cerca de 180 vivas, mas ameaçadas. Esse desaparecimento, é resultado de um processo de aculturação, no qual os índios são submetidos a cultura do branco e aos poucos vão perdendo suas origens.

Além disso, o próprio governo desrespeita os povos nativos brasileiros. No Brasil colonial, a coroa portuguesa proibiu a língua tupi, jugando ser uma ameaça ao idioma lusitano. Posteriormente, a perseguição continuou na era Vargas, quando qualquer língua diferente do português era proibida por ser considerada um desrespeito a pátria. E atualmente, o presidente Jair Bolsonaro ataca constantemente os povos indígenas, acusando-os de atrapalharem o progresso, e busca flexibilizar leis de proteção para permitir o uso das terras indígenas para o agronegócio e mineração. Isso é um grave problema, pois a cultura indígena está atrelada a terra, e sem terra eles não se desenvolvem e, com isso, o restante das línguas vivas poderão morrer.

Infere-se, portanto, que as línguas indígenas deviam ser um patrimônio cultural valorizado, e não desprezado. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Educação inclua na base nacional curricular palestras com antropólogos, com o propósito de conscientizar as crianças e jovens sobre a importância de se respeitar uma cultura existente no Brasil há mais de 500 anos, que é símbolo de uma identidade nacional. Ademais, é imprescindível que os deputados, juntamente com o Ministério Público, dificultem e impeçam qualquer medida autoritária de governantes que promovam a destruição de terras indígenas para fins lucrativos, por meio de um projeto de lei aprovado pela câmara. Desse modo, com um povo informado, consciente e amparados pela lei, os indígenas poderão viver dignamente em suas terras e permitir que as mais diversas línguas continuem sendo uma herança cultural viva.