A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 29/09/2020
Antes das embarcações portuguesas chegarem, em 1500, ao litoral brasileiro, que na época possuía outro nome, essa terra já era habitada, já tinha substantivo próprio, não possuía as fronteiras contemporâneas, tão pouco o idioma oficial era o português. Sob esse prisma, o documentário “Guerras do Brasil” da Netflix apresenta as diversas nações indígenas que residiam no território e o genocídio sofrido por boa parte delas, exterminando culturas, povos e línguas. Dessa maneira, as causas da extinção de línguas indígenas no Brasil se devem à colonização e ao persistente extermínio de indígenas no país.
A priori, cabe salientar que é quase imprescindível abordar a colonização portuguesa quando o assunto são os índios. Diante disso, é importante ressaltar o etnocentrismo adotado por todos nesse assunto, começando pelo próprio termo “índio” que antes era tupis, goitacaz, carijó, aimoré, entre outros que na atualidade, para boa parte dos brasileiros, são apenas “índios”. Logo, com a colonização portuguesa a maioria desses povos foi extinta, junto com as pessoas, a língua também se foi, o que é uma grande perda para o vocabulário brasileiro, posto que uma das maiores buscas do Modernismo era um símbolo nacional e a língua tem esse grande papel de ser o diferencial entre povos, ora por sotaques, ora por termos.
Em segunda análise, um dos principais fatores para a extinção de línguas indígenas ser a realidade é a expansão do agronegócio no país, que tem invadido terras desses povos para criação de gado e plantação de soja, especialmente na região Centro-Oeste. Em vista disso, os aborígenes persistem sendo perseguidos e expulsos de seus territórios, quando não são mortos, o que tem aumentado a perda linguística, isto é, a cultura de povos, inclusive a brasileira. Com isso, é essencial destacar a importância da língua, se não fosse pelos povos nativos do território brasileiro, o abacaxi teria outro nome, capivara seria dito de outra forma, talvez imitar-se-ia a maneira como os portugueses os designam, o vocabulário brasileiro perderia sua unicidade, sobretudo, sua identidade.
Portanto, evidencia-se a necessidade de medidas que atenuem a problemática vigente. Nesse contexto, a Funai juntamente com as Organizações Não Governamentais (ONGs) deve realizar simpósios em locais públicos, os quais explicitem a necessidade da preservação das várias línguas indígenas existentes e sua importância para a preservação da identidade nacional, mediante a debates entre indígenas que apresentem vocábulos de suas línguas incentivando outros a os utilizarem e profissionais das ciências sociais, a fim de haver uma disseminação de conhecimento científico e linguístico para que as pessoas possam começar a implantar em seu cotidiano vocábulos e, desse modo, perpetuar as línguas. Assim, se implantadas tais medidas, o cenário visto na “Guerras do Brasil” será história e não mais a realidade.