A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 30/09/2020

Na obra literária “Casa Grande e Senzala”, Gilberto Freyre defende que a pluralidade cultural existente em um país forma sua identidade nacional e, por isso deve ser preservada. Todavia, vê-se que essa premissa não é incorporada no Brasil, uma vez que as línguas indígenas estão ameaçadas de extinção. Dessa forma, convém compreender como a desvalorização social e a ineficácia estatal formam esse quadro, para mitigá-lo.

Em primeiro plano, é notório que a falta de valorização à  linguagem aborígene promove a problemática. Nesse sentido, no Período Colonial do século XVIII, houve a difusão da ideia de inferioridade indígena, a qual definia essa população como selvagem com o não reconhecimento de seu linguajar perante o português. Diante disso, apesar de passarem várias décadas, ainda há resquícios dessa mentalidade arcaica, vista pelo escasso reconhecimento dado à língua do índio como expressão nacional, em detrimento de uma incorporação cada vez maior de estrangeirismos pelos brasileiros. Dessarte, isso faz com que o autóctone sinta-se excluído e incentivado a mudar suas origens linguísticas para se adequar a uma sociedade que desvaloriza sua própria nacionalidade.

Ademais, a inoperância pública também contribui para extinção do linguajar autóctone. Conforme a Carta Magna de 1988, devem ser reconhecidos e preservados a organização social, costumes e língua do índio. Porém, percebe-se que essa norma limita-se apenas à teoria, posto que o Estado não garante a preservação da cultura linguística dessa comunidade, seja pela baixa oferta de escolas bilíngues (que ensinem a língua indígena e portuguesa), seja pelos poucos professores capacitados em instruir e retratar a importância desse legado. Desse modo, é intolerável que com a existência de direitos, os índios não os usufrua devido à falhas públicas.

Urge, portanto, a necessidade de ações que revertem esse impasse brasileiro. Sob essa ótica, a Funai deve garantir a preservação da língua aborígene, por meio da criação de mais escolas bilíngues que ensinem essa linguagem nativa desde o fundamental até o médio, com a oferta de docentes capacitados acerca da cultura indígena, a fim de que haja a perpetuação e conservação desse patrimônio imaterial. Outrossim, é mister que as instituições educacionais mudem a visão eurocêntrica do índio, mediante palestras com representantes de tribos e aulas teatrais, relativas a importância da cultura dessa população, como a linguística para a construção da identidade brasileira.