A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 02/10/2020

Durante a Primeira Geração Romântica da literatura brasileira, a figura do índio foi exaltada e definida como símbolo do heroísmo nacional. Contudo, a extinção das línguas indígenas demonstra a negligente postura social e governamental frente a essa parcela, seja com o choque cultural vivenciado pelos nativos, seja a carência no ensino a respeito desse grupo no país.

Concernente à temática da miscigenação cultural no Brasil, é um processo impactante na linguagem desses povos. Essa premissa remete ao Período Colonial nacional com a imposição pelos imigrantes portugueses da linguagem europeia, por meio da catequização, o que promoveu a redução de falantes de códigos indígenas. Nesse sentido a diversidade linguística no Brasil é reduzida pelo desrespeito de outras povos à cultura nativa e, desse modo, a riqueza cultural do patrimônio linguístico brasileiro é depreciada pela disseminação de uma língua em detrimento de outras.

Ademais, a falta de incentivo na educação acerca de aspectos indígenas, como a linguagem, estimula o desprestígio desses idiomas. Essa assertiva relaciona-se a lei que prevê o aprendizado da história da cultura dos índios, estabelecida nas escolas em 2008, todavia é necessário avanços para a implementação concreta da legislação, visto que esse conteúdo ainda é pouco trabalhado em algumas instituições de ensino. Assim, a partir do conhecimento da cultura dessa parcela social, haverá uma maior consciência da contribuição desses para a fomentação do código oral brasileiro.

Portanto, é imprescindível a ação da população e do governo para combater a extinção das línguas indígenas. Para tanto, a sociedade deve trabalhar em prol das variantes orais dos nativos, mediante a participação em projetos voluntários para o registro e a pesquisa desses povos, com auxílio financeiro ou trabalho voluntário, com o intuito de auxiliar na proteção dessas culturas. Outrossim, as Secretarias da Educação devem garantir o ensino dos aspectos indígenas, como a oralidade, por meio de paradidáticos e conteúdos sobre esses povos previstos na base curricular, a fim de valorizar essa parcela brasileira. Logo, em acordo com a Primeira Geração Romântica literária, os índios serão, gradualmente, reconhecidos na sociedade.