A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 01/10/2020

O personagem fictício Policarpo Quaresma, criado pelo autor Lima Barreto, afirmava que a língua indígena precisava continuar viva e, para tanto, deveria ser ensinada como idioma secundário nas escolas brasileiras. Contudo, na realidade, a ideia de Policarpo não é colocada em prática e como consequência revela-se que essa linguagem está sendo extinta do país. Essa situação é preocupante, pois torna explicito o desinteresse do Governo e da população em proteger a cultura que deu origem a nação brasileira.

Nesse contexto, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. É possível pensar inicialmente na aculturação imposta aos indígenas pelos portugueses a partir de 1530. Nesse sentido, é historicamente notável que as tradições indígenas foram dizimadas em prol dos costumes europeus. Não obstante, na atualidade, a expansão da fronteira agrícola força, mais uma vez, o contato dos indígenas com a língua portuguesa por ser, por exemplo, uma forma de conseguir empregos ou comercializar produtos orgânicos como via de manter a subsistência dessa parcela populacional. Logo, muitos falantes dos idiomas nativos indígenas preferem aprender o português em detrimento da língua-mãe devido às exigências do capitalismo.

Por conseguinte, é imprescindível notar os efeitos desse panorama na sociedade. Em primeiro âmbito, é indubitável que, de acordo com dados da Unesco, o Brasil está no ranking de países com maior número de línguas ameaçadas de extinção por estimar-se que restem aproximadamente 20% de falantes de línguas indígenas nativas vivos. Esse número é preocupante uma vez que essa tradição é oral, portanto, quanto menor o número de falantes, menor a proporção de trasmitância dessa informação para as próximas gerações. Ademais, o ensino educacional brasileiro é defasado pela inexistência, em maioria, de ensino sobre a história do índio. Isso é primordial para a extinção da linguagem indígena, visto que o próprio sistema educacional não instiga a manutenção da cultura primordial do país.

Portanto, diante do exposto, torna-se necessário adotar medidas para reverter esse cenário. Para tanto, é preciso que o Ministério da Educação fomente mudanças urgentes no currículo escolar, a fim de prestigiar a população indígena e valorizar os conhecimentos que estes possuem. Isso poderia ser feito por meio de gincanas, aulas de linguagens semanais e, também, com apoio de palestras com autoridades do assunto que mostrem a aplicabilidade das línguas indígenas na modernidade e despertem o interesse em manter viva essa cultura no país. Assim, Policarpo Quaresma teria sua ideia finalmente aplicada à realidade.