A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 12/10/2020
O poema “Erro de português” de Oswald de Andrade faz uma crítica ao poder do colonizador de oprimir o colonizado através da cultura, pelo uso irônico das palavras vestir e despir. Analogamente, o Brasil do século XXI apresenta resquícios preocupantes da historicidade colonizadora como a da extinção de línguas indígenas no país, devido à sua submissão a língua adotada oficialmente, o português. Nesse sentindo, é evidente como causas da problemática o legado histórico, bem como a insuficiência legislativa.
Mormente, é notório que herança do descobrimento do Brasil é uma grande responsável pela complexidade do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio de entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a extinção das línguas indígenas no Brasil atual, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução. Tal quadro, pode ser exemplificado pela catequização dos índios e dizimação ocorrida após a chegada dos portugueses, que afetaram culturalmente esses povos, os impondo novos modos de vida e descaraterizando sua identidade.
Outrossim, a extinção de línguas indígenas encontra terra fértil na insuficiência das leis. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere á questão da falta de preservação das línguas maternas do país, uma vez que o problema continua atuando fortemente no contexto atual. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse. Uma vez que, a língua é um patrimônio cultural indispensável para a preservação da memória e da identidade de um povo, mas as políticas de preservação de tal não são eficazes, visto que, segundo a Unesco resta apenas 10% de línguas nativas nacionais.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para evitar tal extinção no país. Cabe ao Governo Federal em conjunto com a Unesco desenvolverem ações de conscientização que atinjam toda a sociedade, tais devem ocorrer em instituições de ensino de todos os níveis com palestras, cartilhas e propagandas, sobre o legado histórico brasileiro e suas consequências na atualidade como foco nos povos aborígenes. Para que assim, todos entendam a importância de preservar a cultura originária brasileira e valorizem principalmente os idiomas nativos, como o tupi-guarani e yanomami. Além disso, devem garantir o ensino das línguas nativas em todas as aldeias e o ensino optativo dessas línguas nas universidades para que o povo não perca sua identidade e que os demais valorizem o dialeto. E então, não ocorra o despimento total dos índios descrito no poema oswaldiano.