A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 02/10/2020

“Carece de três letras, convém a saber, não se acha nela, nem f, nem l, nem r, cousa digna de espanto, porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei”. Este é um fragmento da Carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei de Portugal, acerca do ponto de vista do escrivão em relação ao idioma da população indígena do litoral da colônia. É perceptível, assim como no século XV, que, contemporaneamente, há negligência e antipatia pelas populações não indígenas em relação ao dialeto dos índios no Brasil. Delibera-se, por conseguinte, a questão do perigo de extinção dessas linguagens e como evitá-la.

Primeiramente, é coerente a ciência da relevância da preservação de uma língua: a valorização da pluralidade linguística enriquece a cultura de uma nação, por consequência das transmissões de conhecimentos de um povo a outro, o que acarreta em um melhor desempenho nas aplicações de alteridade e cidadania dentro das relações humanas. Como exemplo, é afirmável que, graças ao entendimento da necessidade de respeito a quaisquer cidadão, indiferentemente de sua crença, hábitos ou etnia, que a Organização das Nações Unidas desenvolveu a Declaração dos Direitos Humanos: documento ratificador dos direitos naturais de um indivíduo. Portanto, é indispensável que toda forma de manifestação cultural seja reconhecida, no caso, as línguas indígenas, para a execução de um convívio ético no território brasileiro.

Todavia, assim como afirmado anteriormente, os diversos vocabulários dos grupos indígenas do país carecem de suas devidas apreciações. Como efeito, seus dialetos entram em desuso, fator que ameaça-os de extinção. Como exemplo, observa-se, nos ensinos fundamentais das escolas, a inexigência do conhecimento juvenil em relação às riquezas étnicas dos povos Guaranis, Tupiniquins, Tupinambás, entre outros. Consequentemente, o desinteresse acerca desse tema pelas crianças é facilitado. Deste modo, é essencial a existência de maiores políticas educacionais valorizadoras dos idiomas brasileiros, além do português.

Em síntese, é dever do Ministério da Educação do Brasil promover o tema exposto a básico na matéria História nas escolas para as crianças, através de documentos legislativos sobre as instituições de ensino público, com finalidade de ensiná-las a respeito da exuberância linguística existente no país, e assim, evitar que cometam etnocentrismos, como realizados pelos colonizadores no século XV.