A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 02/10/2020

“Quando o português chegou debaixo de uma forte chuva vestiu o índio, que pena! Fosse uma manhã de sol o índio tinha despido o português”. O poema de Oswaldo de Andrade deveria ilustrar apenas um dos primeiros contatos do estrangeiro. Conquanto, representa as imposições culturais, que entre elas está a do idioma português, no qual ao longo do tempo foi tomado como oficial pelo governo e o povo. Nessa perspectiva, a extinção da língua indígena deve estar em discussão para que seja tratada com a devida importância.

Em primeiro lugar, é importante ter em conta que a cultura é um dos principais fatores no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional pensar que o Brasil possui um eficiente sistema público de proteção à sua identidade. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido nos mais de 270 dialetos aborígenes ameaçados de extinção, segundo dados do IBGE. Ainda mais, uma pesquisa da UNESCO revela que o país ocupa a terceira colocação no ranking de Estados com mais falas com risco de aniquilação, o que é preocupante.

Faz-se mister, ainda, salientar a “superioridade” do colonizador como impulsionador da exclusão linguística dos índios. Assim, de acordo com o pensador Reinaldo Vasconcelos: “Aceitar a diversidade é um passo para evolução de um mundo cansado de injustiças sociais”. Diante de tal contexto, entende-se que não somente os portugueses do poema de Oswaldo de Andrade foram excludentes em relação aos nativos, como também a sociedade. Dessa maneira, o corpo social, indiretamente, que teve suas raízes no etnocentrismo, contribuiu com o perpetuamento da marginalização do que lhe é diferente, como exemplo da fala de nossos compatriotas.

Infere-se, portanto, que o Estado, como instância máxima do poder administrativo,  deve, juntamente ao Ministério da Educação, criar disciplinas nas escolas que abordem a importância e a conservação da língua indígena no Brasil. Desta forma, será possível garantir a conscientização da importância cultural que essas linguetas carregam. Sendo assim, em uma nova realidade, o poema poderia ser reescrito no sentido de que, somente assim, o índio poderia despir o português em uma manhã de sol.