A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 07/10/2020

O movimento “Anta”, da Semana de Arte Moderna brasileira, reivindicava a valorização do léxico tupi, bem como da cultura aborígene. Entretanto, após anos desse grandioso evento, o reconhecimento da ancestralidade cunha-se escasso pelos civis, tendo como consequência o desaparecimento de dialetos e expressões indígenas. Nesse sentido, seja pelo pobre contato latino-ocidental com suas raízes originárias ou pelo crescente ataque vital sofrido pelos nativos, a manutenção das línguas — Maior símbolo de existência — percussoras torna-se cada vez mais difícil e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar o latente distanciamento indianista do intelecto urbano. À medida que escolas e universidades lecionam majoritariamente história e língua estrangeira, a exaltação dos hábitos exteriores é instituída aos cidadãos desde os primórdios. Dessa maneira, o interesse pelo estudo dos códigos aborígenes em Pós Graduações, por exemplo, é extremamente reduzido, promovendo a facilidade do desconhecimento e desaparecimento das variadas línguas nativas existentes. Segundo o educador Paulo Freire, no entanto, se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda. Desse modo, fazer dos centros de ensino locais de contato com a pluralidade linguística nacional é imperioso para o sustento dos léxicos.

Ademais, a sobrevivência das tribos têm deteriorado-se há anos no país. Conforme a disputa por terras reservadas e a perda de direitos constitucionais são comumente realizadas, não só a língua é apagada, mas também o povo como um todo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa, apenas 0,4% da população nacional é composta por índios, tamanha dizimação. Sob essa ótica, a ingerência do poder público na preservação desses grupos é indispensável. Logo, reascender os ideais modernistas e românticos — Que também lutavam pela cultura aborígene — na sociedade como um todo, é fundamental para aumentar a proteção de tais grupos.

Portanto, ações são necessárias no objetivo de possibilitar o contínuo da expressão indígena. Nesse viés, promover a obrigatoriedade de ensino de ao menos uma língua originária, nos níveis fundamentais e médios de ensino, é essencial no intuito de ascender a curiosidade infantil sobre a cultura aboriginal e possibilitar futuros estudiosos sobre. Para isso, a renda do Ministério da Educação e Cultura serviria como custeio de professores. Outrossim, a fiscalização do bem-estar e qualidade de vida dos índios, pelo Poder Judiciário, por intermédio de visitas de fiscais e antropólogos do Ministério Público Federal à terras demarcadas, é mister a fim de assegurar e resguardar os nativos. Apenas assim evitaremos que ideais literários tão relevantes, como os românticos e modernos, saiam do papel para mudar a realidade do Brasil.