A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 05/10/2020
Quase 90% das línguas indígenas brasileiras foram extintas e as que restam estão ameaçadas, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Esse dado confirma que, apesar da importância da cultura indígena para o Brasil, ela não tem sido valorizada como deveria. O silenciamento governamental e a falta de tratamento do tema nas escolas são dois fatores que contribuem com o atual quadro de descaso.
Primeiramente, destaca-se que o silenciamento governamental sobre o assunto é causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates governamentais sobre a extinção das línguas indígenas no Brasil. O Governo não trata deste assunto com a sociedade, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.
Outro fator preponderante aponta para a falta de tratamento do tema nas escolas. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob esta lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à extinção de línguas indígenas no Brasil, verifica-se uma forte influência desta causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu dever no sentido de reverter e prevenir a problemática supracitada, visto que não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula.
A sociedade brasileira, portanto, encontra no silenciamento governamental e na falta de tratamento do tema “extinção das língas indígenas” nas escolas, dois fatores problemáticos. A fim de se minimizar este cenário, deve o Governo, através do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, em parceria com ONG’s e entidades de direito privado, propor o projeto “Línguas Indígenas em ascensão”, o qual consistiria em debates nas escolas sobre as línguas indígenas e sobre a cultura indígena como um todo. Tais eventos poderão ocorrer no período de contraturno, contando com a presença de professores e especialistas no assunto. Além disso, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas possam compreender a importância das línguas indígenas e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções.