A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 03/10/2020
São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratados com a mesma importância. Porém, a questão da extinção de línguas indígenas contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, esse grupo é vítima de discriminação constante. Nesse sentido, essa eliminação linguística tem como causa o legado histórico e encontra espaço na sensação de superioridade social.
Em primeiro plano, é preciso atentar para as cicatrizes deixadas na cultura indígena pela colonização do Brasil. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Sob essa lógica, a extinção de línguas indígenas, mesmo que esteja continuamente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira, sobretudo à catequese indígena imposta pelos portugueses em 1500. Assim, sendo o passado uma causa latente do desaparecimento da linguagem indígena, sua resolução será dificultada.
Em segunda análise, a sensação de superioridade se faz terreno fértil para a persistência dessa extinção linguística. A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, portanto, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão do desaparecimento de línguas indígenas, cuja base é uma forte discriminação. Isso porque a sociedade considera a língua portuguesa melhor, sendo os indígenas obrigados a serem falantes dessa língua, para não serem excluídos.
Torna-se evidente, portanto, que é necessária uma intervenção para que a linguagem indígena não seja totalmente eliminada do Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o PNLD (Programa Nacional de Livro Didático), desenvolver uma atualização nos livros didáticos de História, por meio da sugestão de projetos que discutam o legado histórico brasileiro relacionando a problemas atuais. Ademais, tais projetos poderiam fomentar, até mesmo, a criação de uma Olimpíada de História para o século XXI, para que a questão da extinção de línguas indígenas seja compreendida em sua totalidade e possa proporcionar avanços que o desamarrem de seu passado excludente. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hanna Arendt: “a pluralidade é a lei da Terra”.