A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 04/10/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante aos indígenas e demais minorias o direito de preservar e expressar sua cultura e sua língua. No entanto, a alarmante extinção de línguas indígenas, no país, demonstra que muitos cidadãos não desfrutam do gozo desse direito previsto na Carta Cidadã. Isso se deve não só ao descaso estatal como à ineficiência do sistema de ensino nacional, no que tange à valorização da pluralidade cultural.
Deve-se pontuar, de início, que o desaparecimento de muitas línguas indígenas deriva de uma persistente postura etnocêntrica dos órgãos governamentais, a qual se volta a uma suposta “integração” do índio, e não à necessária preservação de sua cultura. Nesse sentido, percebe-se que durante grande parte da história do país, como em fases do período colonial por exemplo, os índios foram privados do direito de se expressar em sua língua nativa. Assim, ainda que essas restrições se apresentem hodiernamente apenas na forma de um preconceito velado, tendo em vista o caráter primordialmente oral da transmissão dos costumes na cultura indígena, essas línguas vêm sendo gradativamente fadadas à extinção.
Ademais, faz-se mister ressaltar a negligência das escolas e universidades para com a difusão dos conhecimentos ligados à língua e aos costumes indígenas, como um causador dessa problemática. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que a baixa ênfase dada às línguas indígenas no currículo escolar básico impossibilita o resgate e a valorização das mesmas pelos jovens, o que contribui para a perpetuação desse quadro deletério. Diante disso, nota-se um preocupante enfraquecimento da identidade e sensação de pertencimento desses povos, tornando tal realidade insustentável.
Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas a fim de mitigar a extinção de línguas nativas no país. Para isso, necessita-se que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas e privadas, promova alterações no currículo escolar básico. Tal ação deve ser concretizada por meio da inclusão de disciplinas autônomas ligadas ao ensino das principais línguas indígenas, seus costumes e tradições. Espera-se, com isso, despertar o interesse da sociedade pela cultura dos povos nativos e evitar, assim, o desaparecimento desse valioso patrimônio linguístico brasileiro.