A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 05/10/2020
Na chegada de Cabral ao Brasil, Pero Vaz de Caminha registrou, sob sua ótica, o modo de vida dos primeiros habitantes do país, os indígenas. Em suas cartas para Portugal, declarava espanto em relação aos costumes do povo, e logo os julgou inferiores e selvagens. A concepção de Caminha acerca dos índios se estendeu por séculos, em longos períodos nos quais os europeus dizimaram suas populações e reprimiram seus costumes. Hoje, a herança obtida de todo esse massacre, é o desaparecimento gradual da cultura indígena no Brasil, bem como um de seus mais importantes alicerces – seu idioma.
As línguas nativas do Brasil carregam consigo um valiosíssimo registro histórico imaterial do país, e há esforços coletivos por parte de ONGs e grupos ambientalistas para preservá-las. Ainda assim, segundo a Unesco, das 274 línguas indígenas que ainda sobrevivem, 190 estão em grave risco de extinção. Tal fenômeno revela que ainda há problemas no que tange a sobrevivência da cultura indígena no país, por mais que medidas estejam sendo tomadas. Esses problemas atingem pontos vitais na sobrevivência dos idiomas. “A idade avançada dos falantes e a desvalorização da cultura indígena são motivos que influenciam para seu desaparecimento”, diz a coordenadora do programa de escolas associadas, Myriam Tricate.
Sob o ponto de vista dos indígenas remanescentes, tenta-se a recuperação cultural dos danos causados pela opressão histórica dos povos europeus. A desvalorização de seus costumes e hábitos é uma realidade que atinge os jovens, como diz Daniel Munduruku, filósofo indígena: “é preciso que as escolas resgatem nas crianças a sensação de pertencimento e autoestima de ser brasileiro”. A fala alerta para um processo de degradação da cultura dos índios no Brasil. Daniel complementa: “Também é necessário transformar o olhar dos próprios professores sobre o assunto". Constata-se, então, uma persistente desvalorização do modo de vida indígena e de sua história como um todo.
Dessarte, faz-se necessária uma intervenção imediata por parte dos governantes, que devem agir de forma rápida e precisa, a atingir os pontos vitais do problema. Cabe então à FUNAI, fundação nacional do índio, em parceria com latifundiários e proprietários rurais, elaborar métodos de demarcação e recuperação das terras indígenas, por meio de investimentos e campanhas ambientais, a fim de promover a preservação do ambiente nativo dos índios, bem como sua cultura e, consequentemente, seu idioma. Desta forma, hão de se preservar os primeiros habitantes do Brasil.