A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 05/10/2020
As culturas indígenas fazem parte do patrimônio cultural brasileiro e é fundamental que essa legado seja preservada, porém, com o extermínio de muitos povos através dos séculos, muitos idiomas e culturas foram e estão sendo extintas. Tal cenário tem origem inquestionável de uma formação colonial que não permitiu a população brasileira a compreensão da importância de suas línguas matrizes. Desse modo, entre os princípios que sustentam essa realidade, pode-se salientar uma legislação historicamente excludente, juntamente com uma mídia que representa os valores e interesses da elite nacional.
Em primeiro lugar, observa-se que a presença de um Estado falho alicerça a exclusão de línguas indígenas no Brasil. É incontestável que esse cenário advém de uma deficiência no processo legislativo, em que as esferas governamentais não promovem de forma regular e transparente a inclusão dessas expressões culturais nas escolas, criando uma sociedade ignorante acerca de sua própria origem. Com base nisso, nota-se que o anonimato sofrido por essas culturas é um risco iminente para a consciência brasileira, uma vez que a falta de políticas públicas de inclusão e reconhecimento agrava o cenário atual. Ilustra-se esse panorama no levantamento feito pela Unesco em que quase 90% línguas indígenas foram extintas e as que restam estão ameaçadas.
Em segundo lugar, a mídia elitizada aprofunda os preconceitos em relação aos dialetos nativos do Brasil. Isso acontece em virtude do fato de que a mídia brasileira é direcionada a homens e mulheres de classe média vinculados ao universo intelectual formal. Assim, na programação rotineira dos meios de comunicação não há lugar para disseminar outras expressões senão as da norma culta. Com base nisso, evidencia-se um indicador de um problema social, em que a experiência de vida e costumes de alguns grupos é considerada menos valiosa e, consequentemente, excluída dos espaços de construção do discurso. Exemplo claro dessa realidade é a persistência de um imaginário no qual ainda se acredita que o português padrão é mais legítimo do que os vernáculos brasileiros.
Diante do exposto é necessário reconhecer que a herança colonial hegemônica é a origem da extinção das línguas indígenas no Brasil. Para remediar essa questão, faz-se necessário que o Governo Federal crie um programa nacional de valorização e disseminação de dialetos nativos por meio de um projeto de lei a ser votado no congresso que agregará esses idiomas à grade curricular obrigatória do ensino básico com a finalidade de tornar os indivíduos mais íntimos dessas culturas. Desse modo, espera-se que haja manutenção do patrimônio cultural do país.