A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 05/10/2020

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 assegura que os indígenas têm direito à cultura e a diversidade cultural. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o desprezo desses direitos, principalmente no que tange á extinção das línguas indígenas no Brasil, tendo em vista que de acordo com a Funai, o Brasil de 500 anos atrás tinha mais de 1500 línguas indígenas faladas no território, porém esse número caiu para 181. Dessa forma, é fulcral debater e propor uma reflexão sobre esse cenário antagônico, levando em conta que essa problemática é fruto tanto da falta de incentivo educacional, quanto da falta de valorização governamental do país.

Mormente, vale ressaltar que o problema deriva da falta de incentivo educacional, especificamente na grade curricular das escolas, atentando para a informação apresentada recentemente pelo MEC, que diz: mais de 53% das escolas não possuem materiais específicos para propor esse conteúdo relacionado á cultura indígena e suas particularidades. Congruente a isso, segundo Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo. Em virtude disso, é de suma importância que haja esse incentivo desde o período escolar com relação a preservação de línguas indígenas no Brasil, com o fito de incentivar os alunos a reconhecerem a cultura diversa existente no país.

Diante disso, pontuar a desvalorização governamental do país faz-se necessário no que concerne a investir mais na valorização e preservação da cultura indígena, precipuamente nas línguas. Além disso, vale ressaltar a importância dessas línguas na sociedade brasileira, pois faz parte de uma cultura histórica que compõe a história do Brasil, proporcional ao pensamento existente na obra Iracema, de José de Alencar, visto que o índio é idealizado como representatividade nacional de identidade brasileira. Contudo, o desprezo governamental é notório no que tange a esse tópico, uma vez que falta investimento, valorização e empenho para evitar o desuso dessas línguas indígenas.

Em síntese, propor uma reflexão faz-se essencial, com o fito de evitar o avanço da problemática na sociedade brasileira. Em suma, cabe ao MEC (Ministério da Educação), que por intermédio de uma nova grade curricular escolar inclua as línguas indígenas, de modo que alunos e professores sintam-se familiarizados com à cultura indígena e suas particularidades, com o fito de haver maior proximidade e conscientização de que essa cultura faz parte da história do país. Além disso, o governo deve direcionar um maior investimento à Secretaria Especial da Cultura, com o fito de promover movimentos, palestras e reuniões com o objetivo de exaltar a cultura indígena. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da problemática.