A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 06/10/2020
Tomando como norte o século XVI, com a “descoberta” do Brasil pelos portugueses, o choque cultural que ocorreu iniciou uma cascata de eventos que culminaram na marginalização dos povos indígenas no país. Tal fato foi responsável por moldar diversos preconceitos na sociedade brasileira que desencadeiam diversas formas de exclusão cultural como, por exemplo, a extinção das línguas indígenas. Desse modo, é notório que o baixo senso crítico social em consonância com políticas públicas ineficientes atuam diretamente acentuando os preconceitos existentes na sociedade brasileira.
A princípio, é imprescindível ressaltar como o baixo senso crítico da população brasileira é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Nesse contexto, os estudos realizados por Zygmaun Bauman, sobre a modernidade líquida, apontam como a volatilização das relações humanas desencadeiam diversas formas de preconceito na sociedade. Nessa perspectiva, observa-se que a cultura brasileira está sendo destruída por falta de engajamento da população. Desse modo, a carência de acesso a informação desencadeia uma sociedade pautada no senso comum. Tal ponto afeta diretamente na extinção das línguas indígenas, visto que uma sociedade sem conhecimento não respeita o seu arsenal histórico-cultural.
Em segundo plano, é válido ressaltar que ineficientes políticas públicas influenciam diretamente na extinção cultural do país. Posto isso, sabe-se que as políticas brasileiras apresentam traços do período colonialista, visto que a entrada do índio na sociedade brasileira é rodeada de diversos tabus e preconceitos, os quais são consentidos e aprovados pelo Governo Federal, isto porque o índio foi construído no imaginário do governo como cidadãos que não trazem lucro a máquina capitalista brasileira e são sempre deixados em segundo plano nas políticas sociais. Como reflexo, o Atlas Mundial das Línguas elaborado pela Organização das nações Unidas mostrou que noventa por cento das línguas indígenas brasileiras foram extintas até o ano de 2008.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, devem promover debates, fóruns e palestras, nas universidades brasileiras, com a participação de historiadores, com a finalidade de construir um relativismo ético e moral na sociedade, assim promovendo uma luta ativa a favor da restauração e proteção das línguas nativas. Somando-se a isso, o Governo Federal, deve promover políticas públicas de inclusão da cultura indígena, iniciando-se com uma mudança no currículo escolar, no qual se torne obrigatório o ensino das línguas indígenas as crianças brasileiras. Desta forma, pondo-se em prática as palavras de Getúlio Vargas " Devemos ser bons, nenhum esforço é inútil quando empregado em prol do coletivo".