A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 27/10/2020
No Livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, a personagem principal, Policarpo, deseja tornar o Tupi a língua oficial do Brasil devido a grande relação com as raízes da população antes mesmo da colonização portuguesa. Atualmente, não só o Tupi, mas grande parte das línguas indígenas, infelizmente, não existem mais ou estão ameaçadas de extinção. Consequentemente, juntamente com elas, esvai-se a preservação da cultura originária brasileira e dos povos indígenas ainda existentes, em vista de que leis e políticas públicas que zelem pelo valor cultural dessas línguas são negligenciadas no país.
Em primeiro lugar, no contexto da colonização brasileira, a principal maneira de comunicação entre os jesuítas e bandeirantes para com os índios, foi o Tupi, língua indígena predominante no século XVI. A partir dela, criou-se a chamada língua-geral, que facilitou ainda mais o entendimento entre os diferentes povos. Nesse sentido, é inegável que as línguas indígenas desempenham um importante papel na história brasileira desde o início dela e, portanto, sua persistência na cultura deveria ser mais valorizada. Infelizmente, os povos indígenas, uma vez explorados e subjugados pelos portugueses, sofrem as consequências com as marcas que essa atuação deixou em seus povos até hoje, sendo o preconceito, talvez, a mais marcante delas. Por conseguinte, o interesse e valorização da população, dentre gerações, às línguas autóctones é cada vez mais desprezado e desvalorizado.
Dessa maneira, o Brasil, décimo país com mais línguas no mundo, segundo o site Portal Panrotas, tem sua diversidade linguística em estado precário: dados do Portal EBC relatam que 90% das línguas indígenas já foram extintas e as que restam estão ameaçadas. Com isso, a conservação dessa cultura é afetada progressivamente. Ademais, além do fato da língua ser característica cultural de um povo e dever ser preservada como -obviamente- um direito humano, ao desaparecer podem perder-se conhecimentos e informações que não serão mais possíveis descobrir, como, entendimentos medicinais, botânicos e animais. Assim, aprendizados valiosos são privados da compreensão humana.
Destarte, medidas são necessárias para resolver esse problema. Isto posto, o Ministério da Educação em parceria com a FUNAI (Fundação Nacional do índio), por meio de um projeto de lei a ser apresentado à Câmara dos Deputados, deve reivindicar a implantação no sistema educacional brasileiro, de aulas e atividades extracurriculares de ensino de línguas indígenas, ao menos uma vez por semana, desde a educação primária. Além disso, deve fazer parte do projeto a exigência de, no mínimo, conhecimento intermediário de uma língua autóctone para ingresso em curso superior. Dessa forma, espera-se que seja possível conter, gradativamente, a extinção de línguas indígenas no Brasil.