A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 06/10/2020

Cândido Rondon, mais conhecido como marechal Rondon, foi um engenheiro e sertanista brasileiro, famoso por dedicar sua vida à exploração de biomas e defesa dos povos indígenas do Brasil. O visionário, além de realizar trabalhos etnográficos, organizou o Sistema de Proteção ao Índio (SPI) em 1910. Entretanto, na contemporaneidade, o cuidado e a empatia do marechal para com os nativos não representa a postura do Governo Federal perante à extinção de línguas indígenas no Brasil. Tal vicissitude tem como origem inegável uma mentalidade etnocêntrica enraizada no corpo social. Assim, faz-se mister analisar como a negligência estatal e a manipulação midiática alicerçam essa conjuntura.

Em primeiro plano, é imperativo destacar como a negligência governamental causa a extinção de centenas de línguas indígenas no Brasil. Essa lógica é comprovada pela postura passiva da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) diante da problemática. Instituído para ser um órgão que assegure a preservação de povos autóctones, tal fundação ignora ações que poderiam, potencialmente, mitigar o desaparecimento de tais idiomas, como a disponibilização de aulas de línguas nativas e de cultura dos povos originários na rede pública de ensino, em reservas e áreas de ocupação indígena. Dessa forma o Estado corrobora a problemática em questão. Logo, é necessidade premente a mudança desse quadro.

Outrossim, a manipulação midiática atua como agente perpetuador desse cenário negativo. Isso ocorre porque a mídia supervaloriza questões e grupos sociais mais abrangentes e polêmicos, visando maior audiência e lucratividade, em detrimento de minorias e discussões pontuais, como a questão das línguas indígenas. Esse pensamento é elucidado pela máxima de George Orwell: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. Assim, Grandes corporações invisibilizam os debates a cerca de determinados assuntos, a fim de manter o controle persuasivo sobre o corpo social, mercantilizando-o e tornando-o facilmente manipulável.

Urge, portanto que medidas sejam tomadas para desconstruir essa visão etnocêntrica enraizada e promover a valorização da cultura linguística dos povos nativos brasileiros. Posto isso, o Ministério Público, através do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, deve criar o Plano Nacional de Preservação das Línguas Indígenas. Tal plano, afim de promover a preservação e valorização de idiomas originários, deve focar, principalmente, na alteração da Base Nacional Comum Curricular, introduzindo aulas e palestras de cunho social que abordem e discutam tal problemática em salas de aula e disponibilize cursos de idiomas nativos aos interessados. Ademais, a medida deve instituir algoritmos que promovam conteúdos indígenas nas mídias, para dar visibilidade à essa discussão e valoriza-la, tal como Rondon valorizou há mais de um século.