A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 06/10/2020
A filósofa britânica Mary Midgley com a frase: “O que faríamos sem uma cultura?” questiona sobre a construção da identidade de um povo. Na história do Brasil percebe-se a importância dos índios e sua pluralidade no território, mas com o passar do tempo os costumes indígenas se tornam cada vez mais esquecidos. Isso se torna evidente quando são analisadas as línguas nativas, sabendo que das mil e trezentas detectadas, apenas duzentos e sessenta ainda são faladas.
Primeiramente, a crescente urbanização é um fator que colabora com a perda das linguagens indígenas. No mundo contemporâneo, com a vinda dos índios para as cidades, muitas vezes, eles precisam buscar um trabalho rapidamente e para isso precisam se adaptar de maneira quase que instantânea ao Português, sem se preocupar em manter o próprio idioma. Essa ideia de imediatismo já foi descrita pelo filósofo Zygmunt Bauman no conceito de mobilidade urbana, e pode explicar a extinsão de muitas línguas nativas.
Em segunda parte, outro fator muito importante é a falta de representatividade desses dialetos na sociedade. Muitas obras brasileiras já retrataram ou contém personagens indígenas, mas é difícil encontrar alguma que apresente a língua nativa como é falada e devidamente traduzida. Um exemplo disso é o livro “Iracema”, de José de Alencar, que é um dos mais importantes da literatura brasileira, e no qual a maioria dos personagens são índios, mas apenas nomes são usados em linguagem indígena.
Portanto, faz-se necessário que sejam realizadas ações rápidas e em conjunto do MEC e da Secretaria da Cultura, para a preservação das línguas nativas. Entre elas a documentação dos dialetos e a disponibilização deles gratuitamente. Além da publicação de vídeos curtos nas redes sociais com traduções de palavras indígenas para estimular a curiosidade das pessoas em relação a isso. Dessa forma é possível responder para Mary Midgley que realmente nada faríamos sem a cultura.