A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 23/10/2020

Segundo o historiador Yuval Harari, o desenvolvimento de uma linguagem oral foi de vital importância para o progresso do homem, pois possibilitou maior transmissão de saberes e engenhosa organização social. Os povos indígenas do Brasil, entretanto, vêm sofrendo um ascendente e preocupante processo de extinção de suas línguas maternas. Sendo assim, como causadores dessa problemática, salienta-se a histórica objetificação frente a opressão colonial e o persistente desrespeito governamental a que o nativo originário é submetido.

Mormente, e possível observar que tal panorama alarmante se origina de um agressivo projeto de imposição etnocêntrica. Caio Prado Jr., historiador brasileiro, expõe, sob essa perspectiva, que o ideal colonialista europeu propunha, no plano social, a compulsória adesão do nativo a costumes tradicionais do velho continente - como a fé cristã, por exemplo, sem que fossem consideradas suas peculiaridades. Dessa forma, a metrópole portuguesa engendrou a supressão em massa do modo de vida e, consequentemente, dos mecanismos linguísticos pré-existentes. Conclui-se, então, que as engrenagens do capitalismo emergente associado a uma falsa premissa de ideário civilizatório acarretaram a subjugação de um povo cujas bases sociais se estruturam, em grande parte, pela oralidade e que, sem esta, está condenado ao desaparecimento.

Outrossim, apesar de em 1889 ter ascendido a República - pressupostamente democrática - em que se renegava as mazelas de outrora, o desrespeito para com o povo autoctone e conservação de sua língua se faz perpétuo. Ato contínuo, mesmo a Carta Constitucional de 1988 estabelecendo direitos a essa classe, como o direito a terra e proteção de suas tradições, por exemplo, o que se vê ordinariamente e destoante. Desse modo, o avanço da fronteira agrícola, em especial na direção da Amazônia Legal - via de regra o único ecossistema em que ainda resiste - se apresenta como gravíssima ameaça aos últimos praticantes da oralidade indígena que se interiorizou para fugir da violência empregada com atrocidade por garimpeiros e pecuaristas ilegais, como retratado nos noticiários. Acentua-se, sob essa conjectura, a supracitada problemática.

É notório, portanto, que seja necessário preservar o povo indígena para que sua língua também a seja. Para isso, cabe ao Governo Federal decretar a Lei de Segurança Nacional para a região amazônica, por meio de aprovação do Congresso Nacional, a fim de se prover maior aparato policial e fiscalizatório na localidade para que se se impeҫa novas incursões dos referidos criminosos e defender a integridade daquelas comunidades vulneráveis. Espera-se, com isso, que a característica vital dos humanos possa ser gozada e manutenida pelo habitante originário do Brasil.