A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Do imaginário do escritor brasileiro José de Alencar nasce “Iracema”, um romance indianista que conta a história de uma jovem autóctone apaixonada, durante a colonização europeia na América. Saindo da ficção, pode-se afirmar que, devido a fatores de exploração ocorridos hoje e no período mencionado, traços da cultura dos nativos, a saber, os idiomas, têm sido, infelizmente, perdidos. Essa triste realidade notifica um entrave para o desenvolvimento, o que torna cabível a análise sobre a extinção das línguas indígenas, a fim de minimizar esse processo no Brasil.
Em primeiro plano, vale evidenciar o escambo, a troca de produtos sem o uso de moeda, praticado nos primeiros momentos dos navegantes portugueses em solo brasileiro, como fomentador do impasse descrito. Na tentativa de contato comercial no século XVI, os europeus desenvolveram a gramática das linguagens nativas, o que misturou idiomas e permitiu o surgimento do problema pautado, depois fortalecido pelo extermínio de povos indígenas no contexto da escravidão. Essa lástima possibilitou, na atualidade, de maneira absurda, o risco de extinção de 190 das 274 línguas ainda faladas no, segundo dado da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 2019.
Outrossim, a exploração e a apropriação das terras pertencentes aos povos aborígenes na atualidade também compromete a segurança e a preservação dos idiomas autóctones nacionais. Simone de Beauvoir, importante socióloga francesa do século XX, defendia que é preciso erguer o povo à altura da cultura e não rebaixá-la ao nível dele. Com o problema anteriormente mencionado e com a falta de apoio à causa por parte dos órgãos públicos, os falantes das línguas indígenas são perdidos. Dessa forma, fica claro que o pensamento de Simone não tem sido, infelizmente, aplicado na sociedade brasileira, visto que, como observado em sua perspectiva, a cultura funciona como base para a formação cidadã.
Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para preservar as linguagens indígenas no Brasil, bem como para prevenir suas extinções, problemas advindos da história e que interferem no desenvolvimento. Cabe, portanto ao governo, promover, por intermédio do Ministério da Educação (MEC), o oferecimento de cursos de línguas autóctones brasileiras, a partir da criação de salas de aula específicas e da contratação de profissionais capacitados, como professores atuantes nesse eixo cultural de ensino. Quiçá, tais medidas garantirão a preservação dos idiomas falados pelos povos descritos por José de Alencar, garantindo, então, o desenvolvimento.