A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Na obra do período romancista, “O Guarani” de José de Alencar, o índio Peri é representado como um símbolo idealizado do heroísmo, num período de construção identitária brasileira. Dessa forma, é evidente a exacerbada exaltação dos povos nativos e seus costumes. Entretanto, tal óptica não é mais ressaltada, principalmente no âmbito linguístico, devido à prevalência do processo de globalização e ausência da abordagem acerca da valorização cultural pelas escolas. Logo, vê-se o impacto direto na aceleração da extinção de línguas indígenas no Brasil.
Em primeira análise, tem-se o conceito de cultura defendida por Ruth Benedict, sendo a lente na qual o homem enxerga a sociedade. Nesse contexto, pode-se afirmar que no período hodierno, igualmente a época colonial, a dominação cultural se dá por grandes potências mundiais. Exemplo claro, é a apropriação do inglês como “idioma universal”. Portanto, numa sociedade redigida pelo poderio socioeconômico, há a configuração do defaso de línguas e dialetos nativos por meio da adoção de costumes e de uma realidade cultural distinta à qual verdadeiramente o sujeito se insere.
Ademais, ante a essa perspectiva, a ausência de valorização da diversidade nativa pelas instituições educacionais - local de formação de valores humanos - agrava esse cenário. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “ O homem é aquilo que a educação faz dele”. Assim, pode-se observar que, no ambiente de ensino deveria haver a reafirmação da contribuição dos povos pré-cabralinos à formação nacional, linguística e integracionista. Todavia há falha na responsabilidade social de mantenedora do patrimônio cultural. Desse modo, é de necessidade que a assimilação da ancestralidade da língua brasileira esteja além da apropriação de termos do dialeto tupi-guarani, por exemplo.
Urge,pois, a importância de intervenções para a mudança do parâmetro vigente. Para tanto, faz-se mister a atuação do Ministério da Cultura junto a órgãos educacionais na fomentação de ações como palestras e incentivos ao conhecimento do passado índigena e da sua importância para a sociedade atual. Sendo estas, aplicadas para não indivíduos em fase escolar mas também para sujeitos adultos, de modo a compensar o tempo perdido. Tem-se, assim, como objetivo principal a devida valorização do processo cultural e de identidade brasileiro e, exiguindo a iminência de extinção das línguas indígenas brasileiras.