A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 08/10/2020

Ao afirmar, em sua celebre canção, “O Tempo Não Para”, o poeta Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava certo, pois o esfacelamento da da cultura e das práticas indígena, como a língua, não é um problema atual. Desde a colonização lusa, no século XVI, o genocídio desse povo esteve presente. De mesmo modo, na atualidade, as dificuldades persistem, seja pelo avanço econômico, seja pelos preconceitos sociais.

Em primeiro plano, cabe analisar que, com o passar dos anos, o desenvolvimento das sociedades fez com que houvesse necessidade da expansão das areas agricultáveis. Sob essa perspectiva, a Revolução Verde, ocorrida no século XX, foi responsável pela transferência do polo produtor de grãos, anteriormente no sul e sudeste, para o norte, local em que há grande quantidade de tribos indígenas. Nesse sentido, fica evidente que esse processo foi uma ferramenta que contribuiu com a destruição dos povos autóctones. Portanto, pelo fato de serem retirados das suas habitações, faz-se necessário a ida para outros lugares, como para a cidade, ocorrendo assim o fim das práticas tradicionais, como a língua.

De outro modo, é passível de observar que, a não valorização da cultura brasileira pela sociedade, faz com que costumes históricos sofram preconceito. Nessa conjuntura, o escritor brasileiro Nelson Rodrigues cria a expressão “Complexo de vira-lata” para mostrar que no Brasil as pessoas valorizam mais as práticas externas do que internas. Dessa forma, a depreciação e o desinteresse dos hábitos, como o comunicativo dos povs índigenas, faz com que o desaparecimento desse torne-se irrelevante, o que quebra com o importante multiculturalismo presente nesse país.

Em suma, para que o fim das línguas indígenas não deixe de existir no contexto atual, é preciso uma ação urgente das autoridades competentes. Logo, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), por meio, não só de políticas de proteção como também de desenvolvimento sustentável, deve não permita que a expansão das lavouras seja desenfreada. Nesse sentido, o fito de tal medida é evitar que as vilas dos povos autóctones sejam destruídas e por consequência também a  língua. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois de acordo com Gabriel o Pensador, “na mudança do presente a gente molda o futuro”