A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 11/10/2020
Em 1500, os portugueses da tropa de Cabral que desembarcaram no Brasil logo se surpreenderam com os costumes e hábitos indígenas. Hoje, no mundo globalizado, situações como essa não se repetem apesar da constante ameaça de extinção das línguas e das culturas indígenas no país. Nessa conjectura, é ideal perceber a perda da tradição e do patrimônio típico e, também , o impacto negativo para a história nacional.
Convém destacar, a priori, que a perda qualitativa para o patrimônio cultural é considerável. Isso porque a extinção de línguas indígenas impacta na tradição local e implica, lentamente, em um processo de aculturação, sendo influenciada pelo contato com a “civilização branca”. Um bom exemplo é apresentado com a presença de jesuítas no Brasil e a tentativa de catequizar os indígenas para torná-los mais semelhantes aos europeus e seu estilo de vida. Dessa forma, é perceptível as tentativas de padronização das tribos desde o princípio.
Ademais, a extinção dos dialetos prejudica a história e a cultura nacional. Isso por conta do papel considerável na formação nacional e das diversas histórias e lendas que caracterizam o país e que tiveram origem nas línguas indígenas. Uma analogia pode ser feita com o Quinhentismo e o dicionário tupi do Pe. José de Anchieta para facilitar a comunicação entre europeus e nativos. Dessa maneira, é notável a importância do entendimento, conservação e valorização da língua.
Diante dos fatos apresentados, é necessária uma parceria entre a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e prefeituras municipais de regiões com tribos pra uma ação de reafirmação da identidade e cultura das comunidades, por meio da menor interferência governamental nas regiões, incentivo à perpetuação das línguas e dialetos e proteção física e jurídica de territórios de ocupação indígena, com o objetivo de preservar a identidade e evitar maiores influências da sociedade geral. Além disso, é ideal uma ação entre escolas de nível fundamental e médio, lideranças indígenas e o Conselho Nacional de Educação (CNE) para inclusão de materiais e projetos sobra a tradição indígena, por meio de atividades lúdicas semestrais, rodas de conversa com índios e aulas sobre a cultura e os dialetos, com o objetivo de conservar a história nacional e parte do patrimônio histórico dessa cultura tão rica.