A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 13/10/2020

“Carece de três letras, convém a saber, não se acha nela, nem f, nem l, nem r, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei”. Este é um fragmento da carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei de Portugal, acerca do ponto de vista do escrivão em relação ao idioma da população indígena do litoral da colônia. É perceptível, assim como no século XV, que, contemporaneamente, há negligência pelas populações não indígenas em relação ao dialeto dos índios no Brasil. Delibera-se, por conseguinte, a questão do perigo de extinção dessas linguagens e como evitá-la.

Em primeiro lugar, é coerente a ciência da relevância da valorização de uma língua: os idiomas carregam, de geração em geração, a transmissão de costumes, conhecimentos científicos, medicinais e, no caso dos índios, demasiadas experiências quanto à preservação ambiental. Neste contexto de respeito aos dialetos ameríndios para a proteção florestal, o ativista indígena, Ailton Krenak, discursou que “os povos indígenas não devem ser vistos como uma ameaça ao desenvolvimento”, uma vez que esses realizam papel essencial na manutenção das matas brasileiras, a qual é bem sucedida graças à proliferação de entendimentos ambientais presentes nas linguagens desses povos.

No entanto, o Brasil ameaça constantemente as línguas dessas populações, visto que no país, “a cada 2 ou 3 anos desaparece um idioma” , conforme o diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho. Paralelamente, a Unesco aponta a nação como a terceira maior no mundo com número de dialetos indígenas em desaparecimento. Segundo o especialista em revitalização linguística, Leanne Hinton, a desaparição de uma linguagem “pode acontecer por mudanças forçadas à cultura tradicional”. A citação em questão é validada pela Îã Gwarini, da etnia Tupinambá,  que esclarece que as crianças de sua tribo são falantes, majoritariamente, do português, apenas.

Em suma, posto que é responsabilidade da FUNAI promover políticas protecionistas a essas sociedades, cabe a ela, assim como sugerido pela Îã Gwarini, aplicar a educação das línguas indígenas do território brasileiro nas instituições de ensino público do país. A ação pode ocorrer através da distribuição governamental gratuita de materiais didáticos abordantes desse tema. Afim de incentivar a exaltação desses idiomas e evitar preconceitos linguísticos, como ocorridos no século XV pelos portugueses, a preservação das riquezas dialéticas do Brasil devem ser garantidas.